Morando em Angola há seis anos, o fotógrafo brasileiro Sérgio Guerra faz em seu mais novo livro, Parangolá – O Paradoxo da Redundância (Edições Maianga, 124 páginas, R$ 58), uma verdadeira varredura cultural daquele país. Ou seja, todas suas fotos foram captadas com conhecimento de causa, do lugar onde vive. Este é seu quarto livro sobre o país africano.
Nascido em Recife, Sérgio Guerra atualmente é diretor da Marketing Link, uma agência com sede em Luanda, e dedica-se à fotografia em paralelo às suas atividades publicitárias. Em viagens por quase todo o país, constituiu um rico painel fotográfico do período histórico que abrange a tomada militar em 1998, a pacificação em 2002, até os dias atuais.
O livro traz quase uma centena de imagens de antenas parabólicas, feitas em sua maioria na capital, Luanda. O autor descreve as antenas como “cogumelos mecânicos”, “fenômeno suficiente para uma grande tese antropológica”.
A despeito disso, este não pode ser visto apenas como um livro de fotos. Tem um quê de reflexivo, estético e documental. Afinal de contas, traz ainda textos do ilustre geógrafo Milton Santos (1926-2001) e do escritor e compositor Arnaldo Antunes. Milton fala sobretudo da possibilidade do “conhecimento instantâneo do acontecer do outro”.
As antenas são como espelhos que refletem e multiplicam o caos urbano, os seus fantasmas de concreto e metal, seus escombros, seus milhares de antenas, suas garras voltadas para o alto.
Sem a intenção de ser polêmico, o livro é bem editado e é sim, capaz de suscitar uma certa indagação sobre a situação daquele país. A maior motivação de Guerra é mostrar o quanto Angola deseja ser contemporâneo do mundo. Mostrar o quanto o mundo desconhece sua sede, sua fome, mas ao mesmo tempo, o quanto o país sabe sobre o mundo, por meio de suas parabólicas.