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Ana Botafogo faz apresentação em Brasília de espetáculo inédito

Arquivo Geral

24/04/2009 0h00

Por Joyce Gomes, da redação do Clicabrasilia.com.br


Dois meses de trabalho. A rotina é de ensaio e aquecimento com uma hora de intervalo para
descanso e mais uma para fazer a maquiagem, se arrumar e preparar para a dança. Pela
primeira vez, a remontagem de Suíte Floral-As quatro estações, é interpretada. O palco
escolhido foi de Brasília. Antes da apresentação, a bailarina Ana Botafogo faz o sinal da
cruz e bate três vezes na madeira. Reza para que tudo dê certo, porque, nas palavras da
dançarina, cada dia é um dia e cada espetáculo tem gosto de estréia.

A aflição do início acaba quando está em cena. Os gestos suaves da primeira bailarina do
Theatro Municipal do Rio de Janeiro interpretam a emoção da música, como bem planejou o
coreógrafo e diretor Luis Arrieta. Para completar, a pianista Lilian Barreto toca ao
vivo, firmando a parceria de 16 anos com a bailarina. “Nós tivemos a oportunidade de
trabalhar lado a lado, na mesma sala, e passamos a ter ideias e pensar arte juntas.
Fizemos apresentações e vimos que as pessoas gostavam muito desse formato de música e
dança”, explica Lilian.

O espetáculo leva ao público o sentimento das estações do ano, como se cada uma delas
fosse momentos da vida. “Tem dia que você pode ter na sua própria vida a primavera, o
verão, o outono e o inverno, se você estiver desanimado. Mas logo em seguida, a primavera
vem de novo. É exatamente disso que as músicas falam”, argumenta Ana Botafogo ao analisar
a metáfora do espetáculo. A dança é acompanhada pelas estações de compositores
consagrados como Vivaldi, Piazzolla, Tom Jobim e Villa-Lobos. Além de Lilian Barreto,
mais três músicos compõem a apresentação de uma hora ininterrupta. Ana Botafogo dança com
o bailarino Joseny Coutinho, colega do Theatro Municipal.

O espetáculo movimentou uma equipe de doze pessoas só do Rio de Janeiro. Segundo a
produtora Iza Gilz, foram necessários dois dias para a montagem, sem contar com os
ajustes finais de luz e som na hora do ensaio.  A produção está em cartaz desde
quinta-feira (23) no Espaço Brasil Telecom e os ingressos do fim de semana já se
esgotaram antes da estréia. Suíte Floral é tão esperada pelo público quanto foi para a
inspiradora do espetáculo de Luis Arrieto.”Curti muito a concepção da Suíte Floral. Não
posso negar que adoro os grandes clássicos, mas esse é um espetáculo meu, coreografado
especialmente  para mim. É também um filho querido”, garante Ana Botafogo.

Além de Suíte Floral, a parceria entre as artistas Ana Botafogo e Lilian Barreto já havia
rendido dois espetáculos.  A ideia era sair do clássico como Quebra-Nozes e Giselle e
buscar uma integração para que músicos e bailarinos estivessem juntos no palco trocando
energia e invertendo os papéis. É o caso da primeira parceria, Concertos Coreografados,
ou Ana Botafogo in concert. “Música ao vivo tem aquela emoção do artista no momento,
nunca é exatamente igual. A gravada é exatamente a mesma coisa, você acaba
automatizando”, afirma Ana Botafogo ao justificar a escolha. “No nosso trabalho, tanto o
bailarino quanto o músico tem de estar em completa sintonia. Um depende do outro, do
momento do outro. Assim, público se encanta mais”, garante. O espetáculo Três Momentos do
Amor seguiu o mesmo formato. Foi apresentado por sete anos e teve o início de turnê
também em Brasília.

Trabalhar junto, porém nem sempre é uma tarefa fácil. Os músicos, em geral, costumam se
preparar em casa, estudando sozinhos. Somente depois se reúnem para fazer, no máximo,
três ensaios. Para os bailarinos, a situação parece ser mais complexa. Eles precisam
estar juntos para aprenderem o movimento. O processo é diferente, mas no final, todos têm
de trabalhar com união, integração e entendimento. Isso acontece no Suíte Floral. “Esse
espetáculo é bacana porque são quatro músicos e dois bailarinos. É como um jogo: a bola
vai de um lado para o outro, mas o interesse é de fazer gol”, interpreta Lilian Barreto.


Trajetória

Com seis anos, Ana Botafogo foi levada pela mãe para as aulas de dança, em uma escola
próxima à casa em que morava no Rio de Janeiro. “Eu me encantei com o balé desde o
início”, conta Ana Botafogo.

Com o apoio da família, fez o primeiro trabalho na França. Ao voltar para o Brasil
revelou um desejo aos pais, que sempre apoiaram a filha. “Meu sonho era ir para o Theatro
Municipal do Rio de Janeiro”, lembra Ana Botafogo. Mal sabia que o balé faria dela a
primeira bailarina do Theatro, em 1981.

“A Ana representa a dança brasileira, ontem, hoje e sempre. Vê-la no palco é um incentivo
para todos nós, porque ela passa muita energia, carisma, talento e, sobretudo, a
versatilidade”, afirma Lilian Barreto. “É uma bailarina rara que pode dançar Quebra-Nozes
ou uma música contemporânea, como no nosso espetáculo, com o mesmo talento. Em Suíte
Floral ela dança na
ponta e dança descalça. Você vê a mesma intensidade, a mesma energia, a mesma arte”,
elogia.

Com 31 anos de carreira, a bailarina conhecida no mundo inteiro, revela que está perto o
momento de pendurar as sapatilhas. “Agora estou na maturidade da minha carreira. Mas eu
quero parar assim, enquanto eu estiver dançando bem. Ainda não tem nada previsto, mas
está próximo”, declara Ana Botafogo.


Serviço

Suíte Floral
Data:
25 de abril, às 21h
26 de abril, às 17h
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia entrada – para estudantes, professores da rede
de ensino do Distrito Federal, pessoas com 60 anos ou mais, clientes de celular pós-pago
Brasil Telecom e funcionários da Brasil Telecom). À venda na bilheteria do teatro
(sábado, das 14 às 19h) e no site www.espacobrasiltelecom.com.br.
Local: Espaço Brasil Telecom
Endereço: Brasília Alvorada Hotel – SHTN Trecho 1 Lote 1B Conjunto C
Site: www.espacobrasiltelecom.com.br
Informações: (61) 3424-7121

Programa

PRIMAVERA
Idílio na Rede (Suíte Floral) – Villa-Lobos
Coreografia: L. Arrieta
Abril (As Estações) – Tchaikovsky
Coreografia: H. Bejani

VERÃO
Verão (3º mov. Presto As quatro Estações) – Vivaldi
Summertime (Porgy and Bess) – Gershwin
Águas de março – Tom Jobim
Coreografias: L. Arrieta

OUTONO
Outono Portenho As quatro estações portenhas) – Piazzolla
Coreografia: H. Bejani
Outubro (As Estações) – Tchaikovsly
Coreografia: L. Arrieta

INVERNO
Agosto (As Estações) – Tchaikovsky
Inverno (As quatro estações) – Adágio – Vivaldi
Inverno Portenho (As quatro estações portenhas) – Piazzolla
Apenas um coração solitário – Tchaikovsky
Coreografias: L. Arrieta

PRIMAVERA
Eu sei que vou te amar – Tom Jobim/Vinicius de Moraes
Coreografia: L. Arrieta e H. Bejani
Primavera Portenha (As quatro estações portenhas) – Piazzolla
Coreografia: L. Arrieta

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