Uma nova produção nacional entra em cartaz a partir de hoje nos cinemas: o longa-metragem Dom. O filme é a estréia do diretor Moacyr Góes (das novelas Laços de Família e Suave Veneno) no cinema e foi exibido pela primeira vez na edição deste ano do Festival Internacional de Gramado, que premiou Maria Fernanda Cândido como Melhor Atriz por sua performance na fita.
O drama de Góes traz o ator Marcos Palmeira no papel de Bentinho. A história se passa em torno da vida desse personagem. Apreciadores de Machado de Assis, os pais de Bento batizaram-no com um nome que homenageia um personagem do livro Dom Casmurro.
De tanto insistirem com ele na origem dessa homenagem, Bentinho cresceu com a idéia fixa de que seria o próprio Bento, e destinado a viver, exatamente, aquela história. Tão entranhada estava essa admiração que até uma amiga de infância no Rio de Janeiro ganhou, de Bentinho, o apelido de Capitu – outra personagem célebre do livro. Esta é Ana, personagem vivida por Maria Fernanda Cândido.
Conhecedores de seu sentimento de predestinação, os amigos de Bentinho não tardaram a lhe criar um apelido que é a cara do humor brasileiro: Dom. Quando sua família mudou-se para São Paulo, Dom acabou se separando de sua amiga. Já adulto, de personalidade forte, porém introvertido, Bento foi trabalhar como engenheiro de produção, realizando um velho sonho de infância.
Dom ia freqüentemente ao Rio onde o seu melhor amigo e colega dos tempos iniciais de faculdade, o sedutor Miguel, que trancara matrícula logo no 2º ano, tornara-se diretor de videoclipes musicais. Miguel era o oposto do temperamento racional e introspectivo do amigo – e Dom admirava justamente o glamour e a inconseqüência do trabalho de Miguel, sempre cercado de belas modelos.
Numa dessas visitas ao estúdio do amigo, Dom reencontra a sua Capitu. É o suficiente para que renasça, com toda força, o romance da infância, a essa altura um sentimento avassalador. Eles se casam e têm um filho, escolhendo Miguel para padrinho, do casamento e do menino. Mas Dom começa a incomodar-se com a presença constante do amigo.