“Estava na estrada para minha primeira turnê. Uma das paradas foi num bar em Twist, Arkansas, onde parecia ocorrer uma festa. Dois caras mal-humorados começaram a brigar e derrubaram o barril de querosene com fogo que aquecia a noite. O combustível correu pelo chão e deu início a um incêndio. Todo mundo saiu correndo. Então estava lá, no meio do fogo, Lucille. Corri para dentro do bar e a resgatei. O nome veio quando soube que os dois caras brigavam por causa de uma mulher de programa chamada Lucille. Coloquei o nome para me lembrar de nunca mais fazer uma coisa como aquela… Tive muitas guitarras e sempre chamo a todas de Lucille. ela tem me levado para muitos lugares e até me trouxe alguma fama. Na maioria das vezes me deixou vivo e foi o que garantiu meu almoço. Lucille, praticamente, salvou minha vida umas duas ou três vezes. Não estou brincando, realmente foi. Lembro uma vez, quando estava no carro e ele rodou. Me machucaria, não fosse Lucille ter me segurado. Às vezes chego a um lugar onde não consigo falar nada… às vezes quando estou triste, parece que Lucille tenta me ajudar e chama meu nome. Ela é como uma mulher, mas é a única da qual dependo de verdade. Fui casado muitas vezes e sempre me separei, mas Lucille nunca me deixou. Ela sempre esteve comigo. Parece que ela adora ser domesticada e tocada por mim. Também existe um certo modo que você segura ela, alguns barulhos que ela faz, um jeito que me excita… e Lucille não quer tocar nada além de blues. Lucille é real. Quando a toco é como ouvir palavras e, claro, naturalmente escutar choros. De vez em quando toco e ela parece conversar comigo. Ela sempre conta alguma coisa… se comunica comigo. A única coisa que me deixa preocupado hoje e fazer Lucille soar cada vez mais como se estivesse cantando, mais no meu próprio estilo de cantar” Trecho retirado da gravação de B.B. King no álbum Lucille, (MCA Records, 1968)