Existem ativistas que se acorrentam, que gritam palavras de ordem ou que, como Benjamin Treuhaft, protestam contra o embargo comercial dos Estados Unidos contra Cuba afinando pianos.
Dono de uma peque na oficina de afinação de pianos em Nova York, Treuhaft aterrissou em Havana alguns dias atrás trazendo na bagagem mais de 100 quilos de ferramentas, cordas e outras peças de reposição, para afinar os pianos cubanos maltratados pela umidade tropical e os cupins.
"Nos Estados Unidos, quando as pessoas deixam de usar seus pianos, os jogam no lixo", disse, enquanto afinava as cordas de um descascado modelo de meia-cauda Story & Clark de 1934, doado por uma senhora de Concord, Califórnia, que ele trouxe a Cuba em 1998.
"Este, por exemplo, é um piano pelo qual não dariam nem um centavo nos EUA, mas aqui já mudou a vida de muitas pessoas", comentou.
Desde que, em 1995, Treuhauft fundou a organização não-governamental Send a Piano to Havana (Envie um Piano a Havana), ele já mandou 237 instrumentos à ilha comunista.
Ele e a "brigada" de 14 afinadores e ativistas americanos que o acompanhou violaram conscientemente as restri ções de viagem impostas pelo governo americano como parte de seu bloqueio contra Cuba, em vigor há mais de quatro décadas.
"Estamos fazendo esse ato de desobedi ência civil para zombar das restrições de viagem", disse Treuhaft, 58 anos, filho da célebre ativista pelos direitos civis Jessica Mitford.
"Ben, o afinador", como é conhecido em Havana, já visitou a ilha mais de 15 vezes nos últimos dez anos. Dessa vez, ele veio acompanhado de ativistas de Boston, Nova York, San Francisco, Atlanta, New Hampshire e outras partes dos EUA.
Antes de viajar a Cuba, Treuhaft recebeu uma carta do Departame nto do Tesouro avisando-o de que está se expondo a pena de até 10 anos de prisão e multa de entre US$ 250 mil e US$ 1 milhão.
"Tentaram nos prender em 2002, quando o presidente George W. Bush lançou as restrições de viagem. Meu advogado mandou uma carta aos Departamentos de Estado e do Tesouro explicando que os pianos não representam ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos", disse ele em Havana.
No ano passado, o Departamento do Tesouro lhe aplicou multa de mais de US$ 10 mil, que Treuhaft se nega a pagar.
O afinador acha que Washington mantém o embargo decretado em 1962 para agradar aos eleitores cubano-americanos da Flórida. "Estou farto disso. Essa é minha mensagem política", falou.
Treuhaft disse que, sejam quais forem as novas medidas contra Cuba que a administra ção Bush vai anunciar no final de maio, ele continuará indo à ilha para levar pianos e consertá-los.