Áderson explica que tudo dentro de uma unidade hospitalar tende a propiciar o estresse infantil: “No hospital as crianças com câncer sofrem procedimentos médicos invasivos. São exames como hemogramas, punção venosa e punção lombar (que retira líquido da medula óssea do paciente). Todos eles envolvem agulhas, dor e invasibilidade”.
Daí que diminuir o estresse dessas crianças é fundamental para que elas tenham um relacionamento menos impactante com a doença. “Preparamos os pequenos pacientes para o ambiente altamente estressante do hospital e para se submeter ao tratamento médico”, explica Áderson.
Esta preparação é centrada principalmente num ação simples, sólida e divertida: brincar. “Para nós, brincar é uma atividade muito séria”, diz o professor da UnB. As atividades lúdicas entreiam todo o tratamento. Brincando, as crianças com câncer do Hospital de Apoio de Brasília entendem o processo de tratamento, a medicação que vão tomar, o porque da quimioterapia e dos vários exames.
PaisDentro do exercício lúdico, a participação dos pais, segundo Áderson é também muito importante. “A integração deles é fundamental. Eles precisam estar presentes. Porque, para eles, a situação do filho é muito impactante. O estresse também ataca os pais e eles precisam conviver com a dor”, conta o psicólogo que explica que os pais são orientados a brincar com os filhos com câncer inclusive no próprio leito”.
Áderson analisa que o trabalho da equipe do Programa de Atendimento Psicológico à Criança com Câncer tem surtido efeito. “Os pacientes adoram brincar no hospital. E o clima é tão bom que os próprios irmãos pequenos de alguns deles querem participar também da brincadeira”. Ele cita ainda o caso de vários pais que, de acordo com a própria recomendação da Organização Mundial de Saúde-OMS, resolvem continuar o tratamento psicológico das crianças mesmo depois que saem do intenso tratamento hospitalar.