Quando a velhice provoca esquecimento, é bom que se fique atento: esta perda de memória pode ser natural – chamado de esquecimento senil benigno – ou provocada por causas graves. É o caso, por exemplo, do Mal de Alzheimer, doença cerebral degenerativa que leva ao declínio do funcionamento intelectual, com interferência nas atividades diárias.
Estudos mostram que, no Brasil, cerca de 20% da população com mais de 80 anos é vítima de algum tipo de demência. O mal de Alzheimer é responsável por 50% dos casos. Na busca de amenizar o sofrimento desses pacientes, o Ministério da Saúde está oferecendo medicamentos indicados na fase inicial da doença.
“No ano passado, foram investidos aproximadamente R$ 150 milhões na compra de medicamentos excepcionais para idosos, incluindo os remédios voltados para o tratamento do mal de Alzheimer”, destaca a coordenadora do Programa de Saúde do Idoso do Ministério da Saúde, Neidil Espínola da Costa. No entanto, esses remédios só fazem efeito se forem devidamente receitados.
“Esses medicamentos precisam de uma indicação muito precisa para oferecer algum benefício. É necessário que o idoso seja avaliado por um médico ou especialista e esteja dentro dos critérios estabelecidos pelo protocolo indicado pelo Ministério”, ressalta Neidil.
A coordenadora observa que ainda não existe um medicamento específico para prevenir o mau funcionamento da memória ou para curar o mal de Alzheimer. Neidil explica que o remédio oferecido pelo ministério só traz benefícios para os idosos na fase inicial ou moderada da doença. “Para o paciente que já tem seu diagnóstico e está em uma fase avançada do mal de Alzheimer, o medicamento não está indicado”, reforça.
O problema é que, na ânsia de que a pessoa querida seja curada, a maioria dos familiares deseja que o idoso utilize os remédios, mesmo sabendo que ele não apresenta as indicações necessárias e que não terá qualquer benefício com o tratamento. Mesmo quando há indicação precisa dos medicamentos, o seu uso deve ser avaliado. “Se nos três primeiros meses o idoso não apresentar melhora, o tratamento deve ser descontinuado por falta de benefício”, conclui Neidil.
Estima-se que hoje exista, no Brasil, cerca de 1,2 milhão de pessoas maiores de 60 anos com demência, como o mal de Alzheimer. Sua causa não é bem conhecida, mas sabe-se que existem fatores genéticos associados. Em geral, a doença se desenvolve lentamente. “Por muitos anos, ela vai se instalando de forma insidiosa; pode aparecer na meia idade, mas é mais comum após os 60 anos. Ou seja, é uma doença mais freqüente na população idosa e a própria idade é um fator de risco para a demência de modo geral”, observa a coordenadora. Por isso, quanto mais velha é a população, maior é o risco de adoecimento.