O som da viola mais uma vez invade Brasília. Com o objetivo de trazer o melhor da música sertaneja de raiz, o Projeto Viola Sertaneja apresenta, esta semana, o cantor e violeiro Almir Sater. O show será hoje, às 22h, no Café Cancun, e o repertório faz uma viagem pela carreira do cantor.
Com quase 50 anos, sendo 24 de carreira e dez discos lançados, Almir Sater vai interpretar os grandes sucessos de sua carreira, como Chalana, Tocando em Frente, Trem do Pantanal e Um Voleiro Toca. “São músicas conhecidas do público, que vão fazer com que ninguém fique parado”, revela o cantor.
O evento é realizado desde janeiro e faz, semanalmente, um mix da música sertaneja de raiz ou regional com o sertanejo dançante. “Acho muito importante ter esse espaço para mostrar os trabalhos dos violeiros do Brasil”, disse Sater. O projeto já contou com cantores como Renato Teixeira, Pena Branca, Zé Mulato e Cassiano e Geraldo Azevedo.
Na apresentação de hoje, Almir Sater estará acompanhado do irmão Rodrigo Sater (violão 6 cordas) e dos músicos Carlão de Souza (violão de 12 cordas) e Reginaldo Feliciano (contrabaixo).
O cantor e violeiro, nascido em Campo Grande (MS), foi para o Rio de Janeiro aos 20 anos, e ao ver uma dupla mineira tocando, se encantou pelo som da viola. Ao voltar para o Mato Grosso do Sul, abandonou a carreira de advogado e decidiu dedicar-se à música, formando com o amigo Maurício a dupla Lupe e Lampião.
“Meu estilo sempre foi violeiro, caipira. Gosto de tocar música de raiz”, afirma. Para ele, a diferença entre o sertanejo e o caipira é que o sertanejo passou a ser considerado romântico, mas os dois tem uma ligação com o campo.
No ano de 1979, foi à São Paulo e conheceu a cantora Tetê Espíndola. Sater participou do Festival de Música da Rede Globo, MPB Shell, com a música Varandas. Foi contratado pela Continental e lançou em 1981 seu primeiro disco.
O cantor passou a dedicar-se exclusivamente à música e ganhou projeção nacional com a participação na novela Pantanal (1990), de Benedito Ruy Barbosa, na extinta Rede Manchete. A participação foi pequena, mas além de emplacar a viola no horário nobre da televisão, as músicas Comitiva Esperança, (cantada com Sérgio Reis), Um Violeiro Toca (gravada por Renato Teixeira) e Tocando em Frente (gravada por Maria Bethânia) faziam parte da trilha sonora da novela e ganharam lugar nas paradas de sucesso.
O sucesso em Pantanal lhe rendeu o papel principal da novela Ana Raio e Zé Trovão (1990), na mesma emissora. O trabalho como ator continuou ainda na novela global O Rei do Gado (1997), em que fazia a dupla Pirilampo e Saracura com o cantor Sérgio Reis. “Foram participações que eu fiz, não me dedico à carreira de ator, meu negócio é a música”, diz.
Atualmente, Sater trabalha no novo disco, que deve ser lançado até o fim do ano e terá somente músicas inéditas. “Estou sempre me realizando. O trabalho artístico é uma conquista a cada dia”, conclui.