Há mais de 30 anos sem trabalhar em uma peça infantil, o ator, autor e diretor Alexandre Ribondi voltará ao universo dos pequenos neste sábado. Com um gostinho de recomeço, ele assina a direção de Dicionário de Machado, espetáculo que ficará em cartaz no Teatro Goldoni até o dia 10 de fevereiro, sempre aos finais de semana.
O desafio é maior ainda porque a peça apresenta às crianças duas adaptações de contos escritos por Machado de Assis. “Machado é maravilhoso, mas não escreveu para crianças. Por isso este trabalho ficou ainda mais estimulante e interessante”, afirma Ribondi. “Com a peça vamos apresentar a este público o nosso maior autor, pois fazemos referência a ele durante a peça, mostrando a sua importância para a literatura”, completa.
Os contos adaptados por Aderbal Freire Filho foram O Dicionário e Idéias de Canário. No primeiro, um rei autoritário é deposto pelo povo, mas seu substituto acaba se revelando um déspota também. “Ele quer se casar com uma moça, mas ela não está apaixonado por ele. Então criamos uma disputa bem divertida entre o rei e o pretendente da moça, que envolve até corrida de cavalos”, adianta o diretor.
Já em Idéias de Canário, o foco está nos animais. Um canário foge de seu dono por um buraco na gaiola e uma lagartixa sofre de amor porque foi trocada por um colar de pérolas. “Aqui adotamos o tom de fábula mesmo. Os animais falam e os atores tocam instrumentos e cantam”, conta Ribondi.
Tudo isso para prender a atenção da garotada, que é muito dispersa e precisa de ação a toda hora. “Tive a preocupação de procurar prender a atenção do público durante todo o espetáculo, o que é difícil porque eles mudam de foco muito rápido. Tentei ser mais rápido do que eles”, afirma o diretor, que acredita que crianças a partir de sete anos irão gostar do espetáculo.
Formação de público
Visto por muita gente com preconceito, o teatro infantil tem, na opinião de Ribondi, um papel fundamental: o de formação de público. “É preciso que este público seja formado e que isso seja feito de uma forma adequada. Não posso deixar que uma criança atrapalhe a peça falando alto ou correndo pelo palco porque ela vai achar que teatro é isso e não é”, diz Ribondi. Mas Dicionário de Machado também tem seus momentos de interação. “O público é convidado a participar de uma maneira saudável, acompanhando as músicas com palmas ou respondendo a uma pergunta que é feita a ele”, explica.
Em cartaz como autor com a peça adulta Virilhas no mesmo teatro, Ribondi reafirma em Dicionário de Machado sua parceria com o ator Sérgio Sartório, um dos mais versáteis de sua geração e que está nas duas montagens. “Sérgio é um ator espetacular. Só brinco dizendo que ele não pode entrar em Virilhas com a voz que faz em Dicionário. Aliás, o trabalho de voz dele é muito bom neste espetáculo”, elogia Ribondi.
A parceria ainda deve render outros frutos. Os dois trocarão de lugar ainda este ano e Sérgio vai dirigir Ribondi no espetáculo Nunca Fui Santo. “É uma comédia, um texto meu sobre um padre que resolve fazer hóstias de tapioca pensando em quem é alérgico a glúten. Mais eu não conto!”, finaliza Ribondi, com ares de mistério. Com certeza valerá a pena esperar.
Dicionário de Machado – De 19 de janeiro a 10 de fevereiro, sábado, às 17h; domingo, às 11h e às 17h. Adaptação: Aderbal Freire Filho; direção: Alexandre Ribondi; com Sérgio Sartório, André Reis e Clara Lobato, entre outros. Local: Teatro Goldoni (EQS 208/209). Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia). Evento recomendado para todos os públicos. Informações: 3343-0606.