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Alceu na praça

Arquivo Geral

31/03/2004 0h00

Ícone da música nordestina, o cantor e compositor pernambuncano Alceu Valença ataca com grande variedade de ritmos no show de abertura da sexta edição do Projeto Vitrine MPB. O músico se apresenta de graça, hoje, no Pátio Brasil, onde faz show baseado no repertório do álbum Ao Vivo Em Todos os Sentidos. No disco – seu mais recente, lançado pela Indie Records –, Alceu reúne as principais canções dos 30 anos de sua carreira em releituras de sucessos embalados por “uma fusão com o rock, blues, canções urbanas, maracatu e frevo”, como definiu no lançamento do CD, em junho do ano passado.

Apesar da nova cara da música de Alceu, o pernambucano, do município de São Bento do Una, sempre se revelou muito eclético. Já houve quem definisse o estilo do compositor como pop nordestino, frevo-rock, marcha de Carnaval pernambucana. Mas Alceu, por si mesmo, se define desde a década de 70 como um artista plural. Rebelde, se anunciava o porta-voz da incoerência. Segundo disse o músico no lançamento de Em Todos os Sentidos: “Já houve muita fusão até gerar a confusão. O País ficou refém de um só timbre, uma postura e um comportamento únicos. Para ser diferente, hoje a música brasileira tem que se voltar para si mesma”.

Para o público que assistirá de graça à sua performance no Pátio Brasil, Alceu não fugirá do script dos grandes hits, como Tropicana, Como Dois Animais, Coração Bobo, Tomara e Solidão. As únicas canções mais recentes que entram no show serão Júlia, Julho e De Janeiro a Janeiro.

CarnavalO show de Alceu, portanto, tem o sabor do Carnaval pernambucano, já que é considerado responsável por impulsionar o frevo herdado de Mestre Capiba e Nelson Ferreira no Carnaval de Olinda desde a década de 70, onde, vez ou outra, lidera um bloco que sai às ruas em plena Quarta-feira de Cinzas.

Além disso, grande parte de seu cancioneiro foi criado sob medida para esquentar a folia de Olinda nos últimos 35 anos, quando emplacou Bom Demais, Me Segura Senão Eu Caio, Voltei Recife, Bicho Maluco Beleza, Diabo Louro, O Homem da Meia-noite, Beija-flor Beijando a Flora, Maracatu, Bloco de Saudade e Roda e Avisa. Algumas delas, como Bicho Maluco Beleza e Diabo Louro, não se limitaram ao Carnaval e se eternizaram entre seus maiores sucessos.

RegionalismoAlceu é um eterno defensor da identidade cultural brasileira, do regionalismo – maracatu, frevo, embolada e literatura de cordel. Nos anos 60, se envolveu com a militância estudantil. Largou os estudos de Direito e canalizou sua luta em prol da cultura nordestina na sua música. Nasciam, em meados da década de 70, as suas composições Papagaio do Futuro e Molhado de Suor. No raiar da década seguinte, Alceu se firmava como uma das mais respeitadas personalidades do forró e frevo pernambucanos com seus sucessos Tropicana, Coração Bobo e Bicho Maluco Beleza.

Revoltado com a atual indústria do disco, o músico remete críticas ácidas ao mercado, mas diz não ser contra nenhum tipo de música. “É uma ditadura operada pela indústria”, critica. “Não sou do segmento de ninguém, mas não critico nenhum trabalho. Não sou contra. Mas acredito que o mercado deveria priorizar a identidade cultural brasileira. Devia ser mais plural”, defende.

Filme No ano passado, Alceu fez nova investida na sua luta particular pela preservação da cultura popular e encaminhou para apreciação do Ministério da Cultura o roteiro do seu filme Cordel Virtual, escrito por ele em versos e com diálogos rimados. Alceu ainda aguarda aprovação para começar a captar recursos pelas leis de incentivo. “É um musical, tem uma história ficcional. Tem um artista, que pode ser ou não eu”, revelou ao entregar o projeto à Cultura em agosto de 2003.

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    Apesar da nova cara da música de Alceu, o pernambucano, do município de São Bento do Una, sempre se revelou muito eclético. Já houve quem definisse o estilo do compositor como pop nordestino, frevo-rock, marcha de Carnaval pernambucana. Mas Alceu, por si mesmo, se define desde a década de 70 como um artista plural. Rebelde, se anunciava o porta-voz da incoerência. Segundo disse o músico no lançamento de Em Todos os Sentidos: “Já houve muita fusão até gerar a confusão. O País ficou refém de um só timbre, uma postura e um comportamento únicos. Para ser diferente, hoje a música brasileira tem que se voltar para si mesma”.

    Para o público que assistirá de graça à sua performance no Pátio Brasil, Alceu não fugirá do script dos grandes hits, como Tropicana, Como Dois Animais, Coração Bobo, Tomara e Solidão. As únicas canções mais recentes que entram no show serão Júlia, Julho e De Janeiro a Janeiro.

    CarnavalO show de Alceu, portanto, tem o sabor do Carnaval pernambucano, já que é considerado responsável por impulsionar o frevo herdado de Mestre Capiba e Nelson Ferreira no Carnaval de Olinda desde a década de 70, onde, vez ou outra, lidera um bloco que sai às ruas em plena Quarta-feira de Cinzas.

    Além disso, grande parte de seu cancioneiro foi criado sob medida para esquentar a folia de Olinda nos últimos 35 anos, quando emplacou Bom Demais, Me Segura Senão Eu Caio, Voltei Recife, Bicho Maluco Beleza, Diabo Louro, O Homem da Meia-noite, Beija-flor Beijando a Flora, Maracatu, Bloco de Saudade e Roda e Avisa. Algumas delas, como Bicho Maluco Beleza e Diabo Louro, não se limitaram ao Carnaval e se eternizaram entre seus maiores sucessos.

    RegionalismoAlceu é um eterno defensor da identidade cultural brasileira, do regionalismo – maracatu, frevo, embolada e literatura de cordel. Nos anos 60, se envolveu com a militância estudantil. Largou os estudos de Direito e canalizou sua luta em prol da cultura nordestina na sua música. Nasciam, em meados da década de 70, as suas composições Papagaio do Futuro e Molhado de Suor. No raiar da década seguinte, Alceu se firmava como uma das mais respeitadas personalidades do forró e frevo pernambucanos com seus sucessos Tropicana, Coração Bobo e Bicho Maluco Beleza.

    Revoltado com a atual indústria do disco, o músico remete críticas ácidas ao mercado, mas diz não ser contra nenhum tipo de música. “É uma ditadura operada pela indústria”, critica. “Não sou do segmento de ninguém, mas não critico nenhum trabalho. Não sou contra. Mas acredito que o mercado deveria priorizar a identidade cultural brasileira. Devia ser mais plural”, defende.

    Filme No ano passado, Alceu fez nova investida na sua luta particular pela preservação da cultura popular e encaminhou para apreciação do Ministério da Cultura o roteiro do seu filme Cordel Virtual, escrito por ele em versos e com diálogos rimados. Alceu ainda aguarda aprovação para começar a captar recursos pelas leis de incentivo. “É um musical, tem uma história ficcional. Tem um artista, que pode ser ou não eu”, revelou ao entregar o projeto à Cultura em agosto de 2003.

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