Osom do campo volta ao palco do Centro Cultural Banco do Brasil hoje, no terceiro espetáculo do projeto Ser (tão) Brasileiro. Este será o penúltimo concerto de viola da série já estrelada por Tetê Espíndola, Carlos Navas, Roberto Corrêa e Viola Quebrada: de um lado, estará o violeiro urbano, cosmopolita da vanguarda paulistana da MPB Passoca e, de outro, figura a principal dupla da atual música caipira Zé Mulato & Cassiano.
Paulista e autodidata, Passoca foi um dos músicos de vanguarda que recriou a forma de se tocar a viola. Juntamente com Roberto Corrêa, ele trouxe uma “visão mais urbana ao instrumento”, como definiu em entrevista concedida ao Jornal de Brasília. O músico defende que a viola vive um momento de revalorização. “Zé Mulato e Cassiano são um exemplo disso. Depois de muito tempo na estrada, agora eles recebem um reconhecimento”, argumentou Passoca em referência ao 1º Prêmio Tim de Música, que agraciou a dupla como a melhor do Brasil.
No show, segundo Passoca, o público poderá fazer uma viagem pelo cancioneiro básico da moda de viola. “Vou mostrar composições de Raul Torres, João Pacífico, Inezita Barroso. Enfim, muitas coisas que gravei no disco Breve História da Música Caipira”, adianta o músico. Passoca fará uma performance à parte de Zé Mulato & Cassiano. Mas, na hora do bis, o violeiro paulistano soma seu talento à dupla mineira.
Fiel à música caipira cantarolada nos interiores do Centro-Oeste e Sudeste brasileiros, Passoca cita Zé Mulato como um dos maiores compositores de moda da atualidade. “Ele é um excêntrico fazedor de moda”, diz. “Conhece muito. Essas duplas sertanejas que existem hoje se afastaram muito do que é a música caipira. Se as pessoas conseguirem comprar um disco do Zé Mulato & Cassiano vão descobrir um novo mundo”, discursa o instrumentista.
Nascido em Santos e formado em Arquitetura, Passoca participou do grupo Flying Banana na década de 70. Mudou-se para a capital paulista e gravou um compacto solo com as músicas Cão Vadio e Sombras. Em 1980 lançou o primeiro LP e foi apadrinhado pelo irreverente Arrigo Barnabé, principal representante da tão falada vanguarda paulistana.
Zé Mulato & Cassiano dispensam longas apresentações. Começaram a carreira em 1980. No final da década, em 88, conheceram modestamente o ostracismo. Dez anos, mais tarde, a dupla voltou, triunfal, aos estúdios, com o disco Meu Céu, que recebeu o Prêmio Sharp de Melhor Álbum de Música Regional.
A dupla conjuga a clássica moda de viola e muito bom humor com canções recheadas de sátiras e paródias. De 25 anos para cá, os irmãos de Minas Gerais se consolidaram os maiores contadores de causos sertanejos, juntamente, claro, com o violeiro Rolando Boldrim, a última atração do Ser (tão) Brasileiro, na próxima terça.