O ator paulistano Raul Cortez, faleceu ontem às 20h no hospital Sírio-Libanês, na região central de São Paulo, vítima de um câncer na região abdominal. O ator estava internado desde o dia 30 de junho. O velório ocorre no Teatro Municipal de São Paulo desde as 7h desta manhã, e a pedido do artista, seu corpo será cremado. O caixão está sendo velado fechado, a pedido dele.
O artista já havia sofrido outro problema, quando em dezembro de 2004, submeteu-se a uma cirurgia para retirar um tumor na região do pâncreas e intestino delgado. Na época, ficou afastado da novela Senhora do Destino, na qual vivia o personagem Barão Bonsucesso. E após a cirurgia, fez tratamento quimioterápico. Como parte do caráter forte do ator em entrevistas pedia para que seus fãs não tivessem pena de suas enfermidades, como ele próprio "no momento em que recebi a notícia, tive vontade de chorar. Mas, não queria sentir pena de mim e usei esse sentimento para brigar contra a doença".
Raul Cortez nasceu no dia 28 de agosto de 1932, na região de Santo Amaro, em São Paulo. Tinha duas filhas, Lígia (com a atriz Célia Helena), que lhe deu as netas Vitória e Clara; e Maria (com a promoter Tânia Caldas). Desde cedo sempre se interessou pelas artes e aos 23 anos iniciou sua carreira em uma peça teatral no começo dos anos 50, e logo no ano seguinte no cinema com o filme O Pão que o Diabo Amassou dirigido pela cineasta Maria Basaglia. Ficou conhecido por sua versatilidade na expressão de seus diversificados personagens. Em sua carreira teatral, Cortez recebeu cinco prêmios Molière.
Outros grandes destaques podem ser conferidos nos filmes Lavoura Arcaica (2001), de Luiz Fernando Carvalho, e A Grande Arte (1991), de Walter Salles. Ao lado de Fernanda Montenegro protagonizou o filme O Outro Lado da Rua, de Marcos Bernstein, de 2004. E ainda em sua vasta lista de novelas para televisão como na interpretação de Jeremias Berdinazzi, imigrante italiano ranzinza da novela O Rei do Gado, um dos personagens mais marcantes. E ainda em novelas como Mandala de 1987, Terra Nostra de 1999 e Esperança, de 2002.
Outros sucessos foram em minisséries como Os Maias de 2001 e As Noivas de Copacabana em 1992. Seu último trabalho foi como o personagem Antonio Carlos Andrada na minissérie JK que foi exibida no começo do ano. Em junho de 2005, ele surpreendeu desfilando com elegância na São Paulo Fashion Week, para o estilista Ricardo Almeida, amigo muito próximo do ator, sendo aplaudido por dez minutos pelo público. Tanto é que um de seus últimos pedidos foi ser vestido durante o velório com um terno do estilista.