Será que um casal de escritores é igual a um casal formado por outros profissionais, como funcionário público, advogado, médico e professor? O público de Brasília saberá isso hoje, na Feira do Livro, durante um bate-papo com Ruy Castro e Heloisa Seixas, autores renomados que estão juntos há 14 anos (mas em casas separadas). Ambos são os convidados do quadro Família Literária, que ocorre das 18h30 às 20h30, no Café Literário da feira.
Os dois têm um currículo de peso. Ele – autor de Amestrando Orgasmos (2004), O Anjo Pornográfico – A Vida de Nelson Rodrigues (1995), Chega de Saudade – A História e as Histórias da Bossa Nova (1990), entre outros – é conhecido como um dos maiores autores de biografias do País. Recentemente, organizou as cartas de Vinicius de Moraes e lançou o livro Querido Poeta e é autor ainda de Estrela Solitária, sobre a vida de Mané Garrincha.
Heloisa é uma máquina quando o assunto é trabalho. Com um esconderijo secreto em que fica enfurnada durante todo o dia, um pequeno apartamento no Rio de Janeiro, ela prepara as crônicas que publica semanalmente na revista Domingo do Jornal do Brasil, faz traduções, organiza coleções literárias e dedica-se a escrever seus romances. Heloisa é autora, entre outros, de Pérolas Absolutas, A Porta, Diário de Perséfone e Através do Vidro.
O casal já participou outras vezes de atividades como essa, na Bienal do Rio, na Bienal de São Paulo, em Petrópolis. “Esse contato com o público é sempre muito estimulante para um escritor”, pensa Heloisa Seixas. “É um termômetro para avaliarmos nosso trabalho”, completa. Ruy Castro vai além: “É um momento maravilhoso, porque é difícil ter duas pessoas falando de um processo tão íntimo, que é o dia-a-dia de um escritor.”
Ambos fazem questão de frisar que não será uma palestra, e sim uma conversa bastante informal. “Esse é o valor. É podermos explicar todas as dúvidas dos leitores sobre nosso processo de produção”, avalia Ruy Castro. “No nosso caso, as pessoas não devem esperar um papo muito família não, porque somos um casal diferente, engraçado, nem um pouco careta”, adianta Ruy, com seu sempre presente senso de humor.
Para Heloisa, um dos pontos que mais deve chamar a atenção dos leitores é o contraste entre o trabalho dos dois. “Ruy escreve não-ficção, é especialista em biografias, enquanto eu trabalho semanalmente com ficção. Além disso temos uma outra diferença nítida: a maioria de meus textos é sombria, enquanto as obras do Ruy são leves, bem-humoradas”, acredita ela.
“A nossa relação é meio desigual. Eu não posso interferir no trabalho de Heloisa, já que a criação é um processo totalmente solitário, mas ela pode no meu, ajudando durante a minha pesquisa”, brinca Ruy, assumindo que sem a ajuda de outras pessoas torna-se praticamente impossível a realização de uma boa biografia. “Pelo menos em relação ao sofrimento do trabalho, dividimos os sentimentos: ela me acompanha e eu, da minha maneira, também acompanho o sofrimento dela e de seus personagens”, completa.
Depois do lançamento de Pérolas Absolutas, no fim do ano passado, Heloísa tem se dedicado a dois projetos. O primeiro é a série Clássicos de Aventura, que ela tem organizado e traduzido. Os próximos livros serão As Viagens de Gulliver e Moonfleet – o Tesouro do Barba Negra. O segundo é um trabalho que ela tem feito com muito carinho. “Lançaremos dois volumes simultâneos com 70 artigos sobre literatura, publicados na revista Manchete nos anos 70. Temos obras-primas de pessoas como Carlos Heitor Cony, Paulo Mendes Campos e até de Ruy Castro, no auge dos seus 20 anos”, adianta.
Serviço
Bate-papo com Ruy Castro e Heloisa Seixas – Hoje, às 18h30, no Café Literário da Feira do Livro (área externa do Pátio Brasil). Entrada franca.