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A quântica dos corpos sobre rodas

Arquivo Geral

13/03/2004 0h00

A vontade de uma fisioterapeuta dançarina e pessoas apaixonadas por dança. Assim surgiu o grupo Companhia de Rodas, formado por portadores e não-portadores de necessidades especiais. Há dois anos, eles usam o limite como instrumento na coreografia. E o novo trabalho, o espetáculo A Quântica dos Corpos, será apresentado hoje e amanhã, às 20h, no Teatro Sesc Garagem.

O espetáculo fala da correria do dia-a-dia. Tem muita dança, recursos de multimídia e até poesia. “A cadeira de rodas é uma metáfora da quebra de ritmo”, afirma a diretora do grupo Marta Peres.

A fisioterapeuta e doutoranda em Sociologia na Universidade de Brasília (UnB), Marta Peres, de 35 anos, trabalhou por cinco anos no Hospital Sarah Kubitschek como professora de dança. Para participar de um congresso, precisava de uma dançarina especial. E foi quando, junto com a estudante Alice Miranda, 21, formou a Companhia das Rodas.

Alice nasceu com uma má formação medular e usa cadeira de rodas. Ela cursa o quinto semestre de Enfermagem na UnB. “A enfermagem é um trabalho, a dança é um lazer responsável”, diz. No palco, a cadeira de rodas toma movimentos e com os “andantes”, como ela define, o espetáculo está formado.

O estudante de Biologia da UnB Eduardo Amorim, 20, se encantou com o projeto. Também um “andante”, ele se diverte com as cadeiras de rodas dos colegas. “A gente brinca com os movimentos”, afirma o dançarino.

O professor universitário Paulo Roberto Guimarães, 52, soube da companhia por uma reportagem. Um acidente de carro aos 18 anos o deixou com uma lesão na medula, e desde então se locomove com cadeiras de rodas.

Desde os sete anos envolvido com a dança, mesmo depois do acidente, ela continuou presente. Antes de entrar no grupo, há quase um ano, ele fez aula de dança de salão. “Não sou profissional, estou realizando um sonho”.

A estudante Daniele Temer, 23, foi a última a entrar na companhia. Ela passou a utilizar a cadeira de rodas depois de uma cirurgia, em 1996, para retirar um tumor na medula. O processo de reabilitação foi demorado e hoje, além da cadeira de rodas, ela utiliza uma bengala canadense para se locomover. Como paciente do Sarah, encontrou Marta e entrou no grupo.

A Companhia das Rodas é a primeira de Brasília a explorar esse tipo de manifestação artística. “Todo mundo tem uma limitação, só que a nossa está exposta”, diz Daniele.

Os três integrantes portadores de necessidades especiais afirmam que sofrem preconceito nas ruas, mas não ligam. “Não é à toa que estamos dançando. Como qualquer um, podemos dançar e mostrar o nosso trabalho por meio da arte”, conclui Alice. O resultado está no espetáculo A Quântica dos Corpos. E o grupo garante muitas surpresas performáticas.

Serviço

A Quântica dos Corpos – Espetáculo da Companhia das Rodas. Hoje e amanhã, às 20h, no Teatro Garagem (Sesc 913 Sul). Ingressos a R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

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    A quântica dos corpos sobre rodas

    Arquivo Geral

    13/03/2004 0h00

    A vontade de uma fisioterapeuta dançarina e pessoas apaixonadas por dança. Assim surgiu o grupo Companhia de Rodas, formado por portadores e não-portadores de necessidades especiais. Há dois anos, eles usam o limite como instrumento na coreografia. E o novo trabalho, o espetáculo A Quântica dos Corpos, será apresentado hoje e amanhã, às 20h, no Teatro Sesc Garagem.

    O espetáculo fala da correria do dia-a-dia. Tem muita dança, recursos de multimídia e até poesia. “A cadeira de rodas é uma metáfora da quebra de ritmo”, afirma a diretora do grupo Marta Peres.

    A fisioterapeuta e doutoranda em Sociologia na Universidade de Brasília (UnB), Marta Peres, de 35 anos, trabalhou por cinco anos no Hospital Sarah Kubitschek como professora de dança. Para participar de um congresso, precisava de uma dançarina especial. E foi quando, junto com a estudante Alice Miranda, 21, formou a Companhia das Rodas.

    Alice nasceu com uma má formação medular e usa cadeira de rodas. Ela cursa o quinto semestre de Enfermagem na UnB. “A enfermagem é um trabalho, a dança é um lazer responsável”, diz. No palco, a cadeira de rodas toma movimentos e com os “andantes”, como ela define, o espetáculo está formado.

    O estudante de Biologia da UnB Eduardo Amorim, 20, se encantou com o projeto. Também um “andante”, ele se diverte com as cadeiras de rodas dos colegas. “A gente brinca com os movimentos”, afirma o dançarino.

    O professor universitário Paulo Roberto Guimarães, 52, soube da companhia por uma reportagem. Um acidente de carro aos 18 anos o deixou com uma lesão na medula, e desde então se locomove com cadeiras de rodas.

    Desde os sete anos envolvido com a dança, mesmo depois do acidente, ela continuou presente. Antes de entrar no grupo, há quase um ano, ele fez aula de dança de salão. “Não sou profissional, estou realizando um sonho”.

    A estudante Daniele Temer, 23, foi a última a entrar na companhia. Ela passou a utilizar a cadeira de rodas depois de uma cirurgia, em 1996, para retirar um tumor na medula. O processo de reabilitação foi demorado e hoje, além da cadeira de rodas, ela utiliza uma bengala canadense para se locomover. Como paciente do Sarah, encontrou Marta e entrou no grupo.

    A Companhia das Rodas é a primeira de Brasília a explorar esse tipo de manifestação artística. “Todo mundo tem uma limitação, só que a nossa está exposta”, diz Daniele.

    Os três integrantes portadores de necessidades especiais afirmam que sofrem preconceito nas ruas, mas não ligam. “Não é à toa que estamos dançando. Como qualquer um, podemos dançar e mostrar o nosso trabalho por meio da arte”, conclui Alice. O resultado está no espetáculo A Quântica dos Corpos. E o grupo garante muitas surpresas performáticas.

    Serviço

    A Quântica dos Corpos – Espetáculo da Companhia das Rodas. Hoje e amanhã, às 20h, no Teatro Garagem (Sesc 913 Sul). Ingressos a R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

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