Noite de estréia na Globo é uma coisa tão maluca, mexe com a cabeça de tanta gente, que até o elenco da América não ficou fora e se preparou convenientemente para a ocasião. Quem assistiu ao primeiro capítulo, fatalmente percebeu que nada foi esquecido. Todos os seus personagens, especialmente naquele dia, tomaram banho, escovaram os dentes, fizeram a barba, certamente usaram uma água de cheiro e vestiram a roupa da missa. Nada foi esquecido para um evento de tamanha importância. Tudo muito limpinho, passadinho e cheiroso. É a velha e conhecida mancada da produção global. A novela mostrou imagens belíssimas, sempre uma virtude, marca ou característica do diretor Jayme Monjardim. Houve até o cuidado de amarrar o telespectador logo de cara, estendendo em mais de 30 minutos o bloco inicial e ampliando a duração do primeiro capítulo. Glória Perez abriu a sua história em várias frentes, desprezando antiga recomendação da emissora – coisas dos tempos do Boni – em centrar na ação principal, para depois se preocupar com o resto. Ela é uma autora experiente e, certamente, sabe o que está fazendo. Analisar uma novela de cento e tantos capítulos pelas suas cenas iniciais é algo muito arriscado. Pelos ingredientes apresentados, a novela promete.