O mundo inteiro, desde o último sábado, chora a morte de um de seus personagens mais importantes, o papa João Paulo II, que nasceu Karol Wojtila e se fez conhecido, respeitado e admirado como chefe da Igreja Católica. É natural e até possível admitir que alguns tenham posições contrárias à sua pregação, mas ignorá-lo, jamais. Meus pêsames, portanto, ao pobre, mesquinho e ridículo comportamento da Rede Record, a única emissora que, graças ao esclerosado e caduco comportamento de sua direção, preferiu simplesmente desprezar a morte de um homem de bem, que voltou a sua existência para a fraternidade, a construção da paz e a defesa da vida. Na tarde do último sábado, imediatamente após o anúncio da morte de João Paulo II em Roma, SBT, Globo, Rede TV!, Cultura e Gazeta entraram com edições extraordinárias e especiais, informando e lamentando o desaparecimento de um homem reverenciado e respeitado por pessoas de todos os credos. A Record optou por continuar com os calouros do Raul Gil. A única exceção a este comportamento pobre e idiota se deu no jornal do Boris, naquele dia comandado por Salete Lemos, às 20h17, portanto quase quatro horas depois do ocorrido. É bom lembrar que o fanatismo religioso sempre foi responsável pelas piores tragédias da nossa história, aparecendo como exemplo mais trágico dos últimos tempos o caso das torres gêmeas em Nova York. Será que é pensando assim, se comportando de uma maneira tão desprezível, que a Record pretende se fazer respeitar e elevar os índices de audiência? A sua colocação como uma televisão qualquer vale apenas para a parte comercial, na hora de tomar dinheiro no mercado. Aí, sim, faz questão de se apresentar como uma empresa interessada em separar a televisão da religião. Quanto ao mais, percebe-se que a maneira pobre de pensar e agir, os rancores religiosos e os ressentimentos, mais do que nunca, continuam presentes.