Gestos de cinema mudo com carinhas de personagem de teatro infantil. Com olhos arregalados, mãozinhas no rosto e passos curtos, Adriana Esteves se inspira na mãe e no filho para compor a Lola de Kubanacan. Tão família quanto a personagem, a atriz, que apesar da formação de publicitária começou a carreira como apresentadora, sempre arruma um tempinho para ver, mimar e corujar os homens de sua vida: o marido e ator Marco Ricca e o filho, Felipe, de 3 anos.
Marca registrada e um dos charmes de Lola, os pequenos e caricatos gestos da dona de casa caíram tanto nas graças do público que o autor Carlos Lombardi sempre que pode os coloca em evidência. Quase sempre em deboches de Enrico (Vladimir Brichta) e Esteban (Marcos Pasquim). “Não sei direito como surgiram os gestos. Só quando me apontaram a mãozinha no rosto é que percebi. Achava que era um gesto qualquer, não vinha de lugar nenhum. Até que outro dia vi que Felipe fazia isso sempre que queria alguma coisa”, lembra, babando a cria. “Já tentei falar menos dele, mas não consigo”, reconhece.
Tudo bem, mãe é assim mesmo. E por falar no menino, adivinha do que ele mais gosta em Kubanacan? “Ele é apaixonado por Marisol (Danielle Winits), mas também é louco pelo Esteban. Para convencê-lo a fazer outra coisa no horário da novela, só negociando”, brinca Adriana, que grava e participa de todos os capítulos da novela. Depois de três meses se dividindo entre a novela e a peça Only You, ela deixou o palco. “Não deu para conciliar. Preciso de tempo para a casa e a família”.
Parte desse tempo ela curte no estúdio mesmo. Apesar de não contracenar com Marco Ricca, eles se encontram nos intervalos. “A vantagem de trabalhar junto é que assim nos vemos mais”, conta ela, que o conheceu durante as gravações de Renascer, em 1993. “Mas, naquela época, éramos só amigos”, garante.
Na ficção, a atriz se divide entre trapalhadas e um beijo no marido e outro no amante. Tudo para fazer de Lola “a mais fofa possível”. E explica: “Ela é uma heroína romântica e tem que ser cativante, charmosa, mas não no sentido sensual. Eu me inspirei na minha mãe. Queria a mãe de família jovem, alegre, que enfrenta um monte de situações: corre por todos os lados, faz comida, cuida do marido.”
Enfim, a pergunta que não quer calar: Lola ficará com Enrico ou Esteban? “Prefiro não saber, gosto de surpresas. Lola tem uma paixão pelo herói, mas também ama o marido”, despista. Mas acaba entregando: “Queria que ela fosse Dona Flor, com seus dois maridos”.