O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) presta uma homenagem às mulheres no mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher. É a mostra de cinema Mulheres em Apuros, que vai colocar em foco a produção de realizadoras de oito países tão diferentes quanto Holanda e Índia.
A programação inclui situações de conflito vividas por mulheres em filmes realizados nas décadas de 70, 80, 90 e início do novo século. São curtas, médias e longas-metragens apresentando uma série de temas pertinentes ao universo feminino, que poderão ser vistos de hoje ao dia 28 de março, em três sessões diárias, às 16h, 18h e 20h.
Com curadoria de Beth Sá Freire e Suzy Capó e coordenação de Cristina Alves, a mostra é a primeira do que promete ser uma série de mostras, visando projetar a atuação feminina no cinema. Anualmente, um tema será destacado. Segundo as curadoras, o propósito é exibir e divulgar no Brasil o trabalho de várias cineastas, bastante identificadas com questões particulares à temática feminina. “A mostra ainda oferece a possibilidade de fazer um mapeamento da condição feminina em diferentes contextos”, diz Suzy Capó.
Brasil está representado pela diretora Ana Carolina e sua trilogia – Mar de Rosas (1977), Das Tripas Coração (1982) e Sonho de Valsa (1987). Da França, a obra de Catherine Breillat, que começou no cinema como atriz em O Último Tango em Paris. É dela o filme que marcará a sessão de abertura: A Pequena Travessia, realizado em 2001.
Helma Sanders-Brahms é um dos mais importantes nomes do cinema contemporâneo alemão. A alemã que mais teve títulos selecionados para o Festival de Cannes dirigiu 24 filmes. Dois deles estarão na mostra: Alemanha, Mãe Pálida, de 1979, e O Futuro de Emília, de 1985.
A consagrada cineasta britânica Kim Longinotto, que realizou uma série de documentários sobre a vida e a perspectiva de mulheres em diversas partes do mundo, será representada por três filmes: Divórcio à Moda Iraniana, de 1998, Gaea Girls, de 2000, e O Dia que Não Vou Esquecer, de 2002. Esse último aborda o embate entre a tradição e os novos hábitos. Realizado no Quênia, mostra a mutilação de genitálias e o início do repúdio de mulheres quenianas a esse costume. O filme já foi exibido e premiado em diversos festivais internacionais.
Mira Nair, nascida numa pequena cidade da Índia, realizou quatro documentários investigativos sobre alguns aspectos da sociedade indiana. Um deles, Índia Cabaret, de 1985, coloca na tela duas strippers falando sobre suas vidas em um cabaré decadente de Bombai (Índia). Da nossa vizinha argentina vem o trabalho da diretora Susana Blaustein Muñoz, uma argentina que mora nos Estados Unidos desde a década de 70. Dela serão apresentados Las Madres: As Mães da Plaza de Mayo, de 1985, filme indicado ao Oscar de melhor documentário.