São Paulo – A São Paulo Fashion Week termina amanhã e já deixa um sabor do que virá a seguir, em setembro, quando as lojas lançam o que foi visto nesta semana. Nem todas as tendências apresentadas se confirmam. Dois fatores interferem muito no rumo da moda de varejo. As compras feitas pelos lojistas nos showrooms e a aceitação do consumidor. A temporada não revelou grandes novidades. Apenas depurou a grande mudança de movimento na estação de verão e inverno passados, quando se lançou os anos 60 e 80 como fortes tendências. A grande maioria dos estilistas e marcas se cercou da atmosfera 80 e desenvolveu suas criações a partir desta década, muito em cima da era disco e new wave. Dos anos 60, sobraram as estampas psicodélicas e a profusão de cores.
A moda esportiva resiste bravamente quando o tema é urbanidade, mas as calças com bolsos, fivelas, amarrações e zíperes dividirão a cena com saias evasês no joelho, vestidos retos e fluidos, conjuntos de duas peças coordenadas. Para os streets, bermudas retas e até o joelho, além de macacões. Modelos micros também valem. Mas tem que ser micro mesmo. Alguns estilistas sugerem que o comprimento seja de dois a três centímetros abaixo da virilha. A cintura é alta, mas alguns estilistas juram que foi só na passarela e mesmo assim para acompanhar a tendência mundial, lançada por Balenciaga há um ano e meio. Mas, na verdade, a cintura alta só será assimilada pela brasileira no próximo inverno, depois de um longo verão de cintura e barriga de fora.
Há muita mistura de texturas. O vinil, por exemplo, chega com interferências de ouros tecidos e promete ser um hit. Tem lurex, elastex, viés coloridos, paetês, cristais e pedrarias maravilhosas. Está decretada, também, a volta dos acessórios volumosos e longos ou largos. Recortes estão presentes em quase todas as coleções: a laser, artesanal, em lugares estratégicos, assimétricos… É o glam da roupa. Outra tendência superexplorada foram as estampas. Patchwork, principalmente. Sem contar a imensidão de flores, listras e bolas. Sobre as cores, uma cartela delas promete agradar a todos os estilos. As principais são o rosa, o cinza – aquele tom de malharia, de moleton – e a gama dos tons da natureza. Mas não dá para eleger uma. Tem verde, azul, laranja, roxo, amarelo e muito branco.
De modo geral foi uma boa semana, com coleções sensatas, vendáveis e criativas, levando em conta que os anos 80 ainda estão fresquinhos na memória da maioria. Mas esta década é, sobretudo, divertida, funny, e traz um certo saudosismo. A dificuldade, entretanto, pode ser outra: a partir de agora, assimilar o cafona como fashion e se vestir tal qual as fotos dancin days de outrora.
Nas fotos, Glória Coelho fez uma reeleitura de suas últimas coleções e permanece fiel ao seu estilo meninas futuristas e esportivas. Uma apostou na urbanidade inspirada em Jac Leiner, Caio Gobbi deu seqüência ao trabalho anterior: o college oitentinha. Nada sobrenatural. Hoje desfilam Alphorria, Sais, Eduardo Suppes, Mareu Nitschke, André Lima e Cavalera.