O ano é 1850 e Saint-Pierre é apenas uma ilha francesa na costa do Canadá. Certa noite um homem é brutalmente assassinado. O culpado, Neel Auguste (interpretado pelo diretor iugoslavo Emir Kusturica, responsável por produções como Underground e Arizona Dream) é julgado e condenado à morte. As autoridades locais só não contavam com um equívoco: a ilha não possui nenhuma guilhotina para executá-lo. Diante disso, Neel é obrigado a ficar preso, sob tutela do capitão Jean (Daniel Auteuil, de O Closet), em sua casa, à espera de seu destino. O capitão, que ama incondicionalmente sua esposa, é capaz, inclusive, de ir contra seus superiores para fazer as vontades da amada, a bondosa Madame La (Juliette Binoche, de Chocolate).
Ela se relaciona com o prisioneiro e, acreditando ser capaz de reabilitá-lo, começa a levá-lo para todos os lugares do vilarejo por onde vai. Neel fica conhecido e bastante popular, resolve pequenos problemas, faz consertos nas casas dos vizinhos e inclusive salva vidas. Depois do envolvimento da comunidade e sobretudo de Madame La com Neel, o fato de ele ser um homem condenado à morte é sumariamente esquecido, até o dia em que, finalmente, a guilhotina chega à ilha. A fotografia do filme é uma grande aliada para criar o clima frio e distante das personagens. Juliette Binoche, como sempre, um deleite é quem nos guia por essa história que, a princípio parece claustrofóbica. Mas com o desenrolar da trama, envolve e emociona. O diretor Patrice Leconte conseguiu uma grande proeza: reunir em um mesmo longa o talento ardente de Binoche, a autenticidade de Kusturica e o racionalismo de Auteuil.