Se você prestar atenção, quando passar pelos corredores dos multiplex do Embracine e do Cine Academia, verá estampado nos cartazes da programação uma cena comum a dois filmes: uma danceteria. E outra com um contraste de sentimentos. A amargura da personagem de Cássia Kiss estampa o pôster do brasileiro Chega de Saudade, em cartaz há duas semanas, enquanto o riso largo de Helena Bergström e Maria Lundqvist arremata a publicidade do sueco A Vida Começa aos 40, que estréia hoje.
Ambas produções são intituladas pelo nome do local onde se passa a ação. Chega de Saudade, que arrematou alguns Trofeus Candangos no Festival de Brasília do ano passado, de Laís Bodanzky, é o recorte lúdico de um grupo da terceira idade que se encontra na casa noturna Chega de Saudade, onde despejam durante um baile animado, seus dramas, aflições, conquistas e frustrações.
A Vida Começa aos 40, cujo título original é Heartbreak Hotel, utiliza artifício cenográfico semelhante. A diferença entre as duas produções (apesar de servir muito bem ao mesmo público, mais adulto, acima dos 30), está na concepção da obra. Chega de Saudade é mais conciso, melhor formulado, mais emocionante. Heartbreak Hotel é igualmente bem-composto, mas reclica a fórmula Sex & The City, abusando na comédia.
Na trama do filme, dirigido por Colin Nutley, duas mulheres se encontram por obra da mesma força que as fazem debruçar no conceito do carpe diem (aproveite o dia). Elas são divorciadas, têm filhos criados e estão na casa dos 40 e se conhecem depois de uma briga no trânsito e de uma ida ao ginecologista. Do acaso elas viram amigas e passam a freqüentar assiduamente a animada danceteria Heartbreak Hotel. A amizade provoca a ira da filha de uma e a do ex-marido de outra. Voilá!