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A busca do ouro afro-brasileiro

Arquivo Geral

01/09/2004 0h00

Para valorizar o patrimônio cultural afro-brasileiro, a Petrobras, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir), o Centro Brasileiro de Identidade e Documentação do Artista Negro (Cidan) firmaram uma parceria, ontem, às 16h, no Palácio do Planalto, para a criação do projeto A Cor da Cultura.

A solenidade foi apresentada pelos atores Taís Araújo e Milton Gonçalves (que, por sinal, atuaram juntos como protagonistas do filme brasiliense As Filhas do Vento, premiado com oito troféus no Festival de Gramado deste ano).

Orçado em cerca de R$ 3,7 milhões, o projeto A Cor da Cultura prevê a criação de conteúdos audiovisuais e impressos sobre a cultura afro-brasileira. Esse material vai ser disseminado por meio da TV e também em duas mil escolas públicas de Ensino Fundamental de vários estados do País. Para isso, os professores serão capacitados para utilizá-lo em sala de aula e terão um acompanhamento nessa implementação. Além disso, os conteúdos estarão disponibilizados em um site, que aprofundará os temas tratados por meio de artigos e biografias.

Toda a fase de produção dos materiais e de capacitação dos profissionais envolvidos, bem como a disponibilização dos kits, está planejada para que o projeto possa ser implementado nas escolas a partir do início do ano letivo de 2006.

Programas A partir do Cor da Cultura, serão produzidos 56 programas para TV, divididos em cinco séries que, além de valorizar a história e a cultura afro-brasileira, têm ainda por objetivo fornecer uma panorama dos afro-descentes no Brasil contemplando as diversidades regionais, culturais, religiosas e de gênero. Os programas – Ação, Livros Animados, Nota 10, Heróis de Todo Mundo e Mojubá – serão veiculados pela TV Globo, TVE e pelo canal por assinatura Futura.

O programa Ação é o carro-chefe do projeto. Abordará iniciativas sociais desenvolvidas por ONGs de todo o País. Na série Livros Animados, serão trabalhados em dez episódios temas ligados à Literatura. O Nota 10, com apenas cinco capítulos, é voltado para metodologia de ensino e formação de educadores. Os ainda inéditos Heróis de Todo Mundo e Mujubá, enfocam, respectivamente, homens e mulheres negros que se destacam em diferentes áreas do conhecimento no Brasil, por meio de 30 interprogramas de um minuto e meio; e a relação dos orixás com a cultura brasileira, narrada a partir de sete documentários.

Os episódios de cada um dos programas serão reunidos em fitas VHS e integrarão o kit educativo do Cor da Cultura, que terá ainda livro para os professores, dicionário de línguas africanas e jogo educativo. Todo esse material será disponibilizado para educadores por meio de oficinas presenciais de capacitação, formando uma rede social de multiplicadores nas duas mil instituições que serão contempladas pelo projeto.

O projeto será uma das ferramentas para impulsionar assessorar a Lei Federal 10.639 assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ano passado. A lei institui o ensino de História e Cultura da África e dos Afro-descendentes na grade curricular dos ensinos fundamental e médio das escolas públicas e privadas.

Milton Gonçalves, Zezé Motta e Taís Araújo estão entre os artistas brasileiros que se empenham pela valorização da cultura negra – causa que abrange não só a luta pela participação maior na mídia eletrônica, caso de novelas e filmes, como também a elaboração de uma política cultural que valorize as raízes negras.

engajamento”Sou atriz e negra brasileira”, disse Taís Araújo, protagonista de Da Cor do Pecado, novela da Globo que teve excelente audiência e acabou na semana passada. A ênfase na condição racial deu o tom de encerramento da cerimônia de apresentação oficial do projeto A Cor da Cultura. Como representante da classe artística, Taís é bastante engajada nessa causa.

Quando recebeu o Troféu Oscarito, no Festival de Cinema de Gramado do ano passado Milton Gonçalves resumiu a questão em seu discurso: “Eu sou 50% da população desse país”. Fez uma clara referência ao fato de que o Brasil tem nos negros boa parte de sua raiz cultural.

Na mesma ocasião, o ator declarou não defender, especificamente, uma cultura localizada: “Não existe uma cultura negra a ser defendida, como não existe uma gaúcha ou nordestina. Existe sim, uma cultura brasileira. Cultura não é um traço genético”. A mesma filosofia parece permear a criação de um projeto tão abrangente.

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    A solenidade foi apresentada pelos atores Taís Araújo e Milton Gonçalves (que, por sinal, atuaram juntos como protagonistas do filme brasiliense As Filhas do Vento, premiado com oito troféus no Festival de Gramado deste ano).

    Orçado em cerca de R$ 3,7 milhões, o projeto A Cor da Cultura prevê a criação de conteúdos audiovisuais e impressos sobre a cultura afro-brasileira. Esse material vai ser disseminado por meio da TV e também em duas mil escolas públicas de Ensino Fundamental de vários estados do País. Para isso, os professores serão capacitados para utilizá-lo em sala de aula e terão um acompanhamento nessa implementação. Além disso, os conteúdos estarão disponibilizados em um site, que aprofundará os temas tratados por meio de artigos e biografias.

    Toda a fase de produção dos materiais e de capacitação dos profissionais envolvidos, bem como a disponibilização dos kits, está planejada para que o projeto possa ser implementado nas escolas a partir do início do ano letivo de 2006.

    Programas A partir do Cor da Cultura, serão produzidos 56 programas para TV, divididos em cinco séries que, além de valorizar a história e a cultura afro-brasileira, têm ainda por objetivo fornecer uma panorama dos afro-descentes no Brasil contemplando as diversidades regionais, culturais, religiosas e de gênero. Os programas – Ação, Livros Animados, Nota 10, Heróis de Todo Mundo e Mojubá – serão veiculados pela TV Globo, TVE e pelo canal por assinatura Futura.

    O programa Ação é o carro-chefe do projeto. Abordará iniciativas sociais desenvolvidas por ONGs de todo o País. Na série Livros Animados, serão trabalhados em dez episódios temas ligados à Literatura. O Nota 10, com apenas cinco capítulos, é voltado para metodologia de ensino e formação de educadores. Os ainda inéditos Heróis de Todo Mundo e Mujubá, enfocam, respectivamente, homens e mulheres negros que se destacam em diferentes áreas do conhecimento no Brasil, por meio de 30 interprogramas de um minuto e meio; e a relação dos orixás com a cultura brasileira, narrada a partir de sete documentários.

    Os episódios de cada um dos programas serão reunidos em fitas VHS e integrarão o kit educativo do Cor da Cultura, que terá ainda livro para os professores, dicionário de línguas africanas e jogo educativo. Todo esse material será disponibilizado para educadores por meio de oficinas presenciais de capacitação, formando uma rede social de multiplicadores nas duas mil instituições que serão contempladas pelo projeto.

    O projeto será uma das ferramentas para impulsionar assessorar a Lei Federal 10.639 assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no ano passado. A lei institui o ensino de História e Cultura da África e dos Afro-descendentes na grade curricular dos ensinos fundamental e médio das escolas públicas e privadas.

    Milton Gonçalves, Zezé Motta e Taís Araújo estão entre os artistas brasileiros que se empenham pela valorização da cultura negra – causa que abrange não só a luta pela participação maior na mídia eletrônica, caso de novelas e filmes, como também a elaboração de uma política cultural que valorize as raízes negras.

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    Quando recebeu o Troféu Oscarito, no Festival de Cinema de Gramado do ano passado Milton Gonçalves resumiu a questão em seu discurso: “Eu sou 50% da população desse país”. Fez uma clara referência ao fato de que o Brasil tem nos negros boa parte de sua raiz cultural.

    Na mesma ocasião, o ator declarou não defender, especificamente, uma cultura localizada: “Não existe uma cultura negra a ser defendida, como não existe uma gaúcha ou nordestina. Existe sim, uma cultura brasileira. Cultura não é um traço genético”. A mesma filosofia parece permear a criação de um projeto tão abrangente.

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