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Política & Poder

Sob pressão de Bolsonaro, PSL cria “filtro” ideológico

A medida ocorre após cobrança do próprio presidente, que exige o “enquadramento” de parlamentares que discordem de ações da gestão

Lindauro Gomes

Publicado

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O PSL vai implantar uma espécie de “filtro” ideológico para definir quem serão os candidatos nas próximas eleições e evitar que nomes considerados desalinhados ao governo Jair Bolsonaro (PSL) representem a sigla.

Nessa terça-feira (13/08/2019), um desses dissidentes, o deputado Alexandre Frota (PSL-SP), foi expulso da legenda.

A medida foi vista internamente como um gesto de “purificação” do partido, que tenta se associar ainda mais à imagem do presidente da República. Além de “filtrar” novos filiados, o partido quer “enquadrar” os que não seguirem à risca as diretrizes do partido.

Ainda não está definido como e quem fará o pente-fino nos nomes que poderão concorrer pelo PSL. Um grupo do partido defende a contratação de uma consultoria externa especializada em compliance, enquanto outro quer a criação de uma espécie de conselho, formado por nomes da própria sigla. Compliance é um termo empresarial que se refere a uma série de regras adotadas para certificar que funcionários estão agindo em conformidade com a legislação e os códigos de ética da empresa.

“É uma medida para dar uma cara de novo ao PSL. A gente tem de saber quem está vindo se candidatar pelo partido. Temos de saber se ele é ficha-limpa, qual o passado político dele. Se não, daqui a pouco, vamos ver um esquerdista querendo se lançar só porque o partido cresceu e virou viável”, afirmou a deputada federal Carla Zambelli (SP).

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No início do mês, o presidente do partido, o deputado Luciano Bivar (PE), se reuniu com Bolsonaro no Palácio do Planalto a portas fechadas. Lá, o dirigente do PSL foi cobrado a “enquadrar” os deputados do partido que discordam do governo. O presidente disse ainda a Bivar que era necessário afinar o discurso da bancada e cobrou “unidade”. Em troca, Bolsonaro sinalizou ficar na sigla até 2022.

“Nós somos um partido do governo. O presidente é nosso filiado. Então, é óbvio que o partido tem de manter os filiados e os partidários em cima das orientações do governo. Quem não estiver satisfeito que…”, afirmou Bivar, fazendo com as mãos o sinal de sair.

Antes de Bolsonaro se filiar, o partido era considerado nanico e elegeu apenas um deputado em 2014. No ano passado, foram 52.


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