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Servidores estão em estado de alerta para greve geral

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Francisco Dutra
francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br

Enquanto o Distrito Federal entra no clima da Olimpíada, os servidores públicos estão em estado de alerta para greve geral. Diante das dificuldades do governo Rollemberg em construir um consenso com as paralisações atuais, a exemplo do embate com os metroviários, outras categorias não escondem dúvidas quanto a capacidade do Executivo honrar a promessa dos reajustes em outubro. Pelo menos, 80 mil servidores começaram os preparativos para também entrar em greve.

Por força judicial, o GDF conseguiu a suspensão momentânea da paralisação dos servidores do Metrô durante a Olimpíada. “Vamos cumprir a decisão e trabalhar normalmente nos dias de partidas no DF. Nos demais, o movimento vai continuar e os trens circularão apenas nos horários de pico. Mas é estranha a posição do GDF. Ele buscou uma solução judicial pensando apenas nos jogos. Não se preocupou em negociar uma solução para o mais importante: a população”, criticou o diretor do SindMetrô, Ronaldo Amorim. A greve da categoria completa hoje 50 dias.

Até a noite de ontem, as negociações com a Polícia Civil estavam travadas. E com os trabalhadores da Caesb, simplesmente não há mais diálogo.

Mobilização

Atentas a estes desdobramentos, outras categorias começaram a se preparar. “Os servidores estão mobilizados. De qualquer jeito, faremos uma assembleia no dia 5 de outubro. Estamos em estado de alerta”, afirmou o presidente do Sindicato dos Servidores da Administração Direta (Sindireta), Ibrahim Youssef.

No caso da Administração Direta, a categoria representa 40 mil trabalhadores. Os professores possuem o mesmo contingente e passam pela mesma situação. Durante o recesso escolar da rede pública, previsto até 15 de agosto, o segmento começou uma mobilização virtual pelas redes sociais. Segundo o diretor do Sindicato dos Professores no DF (Sinpro), em uma escala de zero a dez, Soares dá nota sete para a possibilidade de uma nova paralisação da categoria neste semestre.

Para o sindicalista, a conduta adotada pelo GDF nas greves atuais é um indicativo preocupante. “O governo prefere o enfrentamento e o meio jurídico. Isso potencializa a indignação dos trabalhadores. O melhor seria levar a sério o processo negocial”, ponderou.

Compromisso de honrar reajustes

“Olha, o governo pretende honrar os compromissos. E para tanto, estamos desesperados em busca de novas receitas”, garantiu o chefe da Casa Civil, Sérgio Sampaio. Até o momento, a arrecadação do DF não conseguiu saldo suficiente para bancar as recomposições salariais. Pelas contas, do próprio governo, o impacto mensal dos reajustes na folha de pagamento será de R$ 100 milhões.

Segundo Sampaio, nos últimos dias o GDF iniciou uma série de estudos para a captação rápida de recursos. O chefe da Casa Civil nega que o GDF tenha esperado para tomar medidas na última hora. O secretário lembrou que o Executivo enviou para a Câmara Legislativa um pacote de medidas para reforçar o caixa em 2015. Por exemplo, nas palavras do chefe da Casa Civil, os distritais não aprovaram a venda de terrenos e nem a atualização da base de cálculo do IPTU.

“Fora do DF, sindicatos lutam para evitar demissões. Aqui é uma irrealidade total. Essa pressão constante está tornando o DF ingovernável, inadministrável. Os sindicatos continuam com essa busca incessante, desenfreada. Assim o DF não tem dinheiro para investimentos na Saúde e Educação”, alertou.

Tudo de novo

1 No final de 2015, o GDF foi bombardeado por uma sequência de greves de diversas categorias. Para conter as paralisações, o governador fez uma série de promessas, cuja principal foi é de um reajuste salarial geral.

2 Na média das categorias, os reajustes prometidos levarão a uma correção de 12% nos salários.

3 Nos dias de partidas no Mané Garrincha, os metroviários trabalharão das 6h às 23h30 (entre segunda-feira e sábado) ou das 7h às 19H (nos domingos).

4 Internamente, o GDF considera que algumas categorias apresentam reivindicações justas. Em outros casos, as demandas dos servidores seriam abusivas.

5 A gestão Rollemberg não debate mais o mérito dos reajustes. Até porque questionou o tema no Tribunal de Justiça e perdeu.

6 No entanto, Sérgio Sampaio classifica a concessão das recomposições feita pelo governo de Agnelo Queiroz como um: descalabro sem tamanho.

7 O risco de uma nova greve unificada é real. Outras categorias também avaliam participar do movimento.


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