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Política & Poder

Procurador do Pará culpa índios por escravidão e afirma que “o índio não gosta de trabalhar”

Na visão dele, suposto fato de índios não gostarem de trabalhar obrigou os colonizadores a “buscar pessoas nas tribos da África para vir substituir a mão de obra do índio”

Willian Matos

Publicado

em

Foto: Divulgação/MPPA
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Willian Matos
[email protected]

O procurador de Justiça do Ministério Público do Pará (MPPA) Ricardo Albuquerque deu uma declaração preconceituosa sobre escravidão na última terça-feira (26), durante uma palestra para estudantes do curso de Direito em Belém-PA. Ele afirma não possuir “dívida nenhuma com quilombolas” e que a culpa de ter havido escravidão no Brasil deve ser atribuída aos índios.

“Eu não acho que nós tenhamos dívida nenhuma com quilombolas. Nenhum de nós aqui tem navio negreiro”, afirmou Albuquerque. “E não esqueçam, vocês devem ter estudado História, que esse problema da escravidão aqui no Brasil foi porque o índio não gosta de trabalhar, até hoje. O índio preferia morrer do que cavar mina, do que plantar pros portugueses. O índio preferia morrer. Foi por causa disso que eles foram buscar pessoas nas tribos na África, para vir substituir a mão de obra do índio. Isso tem que ficar claro, ora!”, prosseguiu. Ouça abaixo:

A fala foi dada enquanto Albuquerque falava sobre as atribuições do Ministério Público em comparação com os Estados Unidos, onde os direitos civis são defendidos pelas ONGs. “Agora tem que dar estrutura para todo mundo, tem que dar terra pra todo mundo, mas é porque é brasileiro, só isso”, afirmou. O que tem que haver, meus amores, é respeito mútuo. Eu lhe respeito, você me respeita, acabou a história. O resto é papo furado. Isso tudo só faz travar a sociedade e eu tô dizendo isso porque eu sei o que rola lá dentro”, concluiu, sem explicar o que é que ‘rola lá dentro’.

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Após viralização do áudio nas redes sociais, Ricardo Albuquerque divulgou nota a respeito. Ele afirmou que a mensagem foi divulgada fora de contexto, sem explicar qual contexto seria o ideal para que a conversa seja entendida de outra forma.

 




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