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Política & Poder

Pré-candidata ao Senado, Leany Lemos diz que indecisos podem definir eleição

Francisco Dutra
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Ganha a eleição quem alcançar os eleitores descontentes ou indecisos com a política. Este é mantra da pré-candidata ao Senado Leany Lemos (PSB). A partir daí, ela aposta na reeleição do governador Rollemberg, de quem foi secretária.

Por que Rollemberg não está bem nas pesquisas?

A rejeição é da classe política como um todo. Não é só o governador. Todo mundo fala da rejeição do governador, mas não fala dos outros pré-candidatos. Se você pega as pesquisas, todos os pré-candidatos têm uma rejeição alta. As pessoas estão questionando a qualidade da classe política e há um desejo de renovação. É uma das razões pelas quais, eu estou me colocando como pré-candidata. Tenho 30 anos de carreira técnica e nunca fui candidata. Então, vamos colocar todas as cartas da mesa? Ou vamos colocar só uma, porque isso serve para criticar um governo?

Pau que dá em Chico dá em Francisco?

Dá em Chico Dutra e dá em Francisco Dutra. Se você colocar o que tem menor rejeição na base, a rejeição do governador cai para um terço. Ele na última pesquisa estava com 72% e Jofran Frejat (PR) estava 49%, 50%. Metade da população diz que não vota no Jofran de jeito nenhum. Então, vamos com calma, porque a pré-candidatura do governador é competitiva.

Mas Rollemberg é alvo de vaias públicas?

Algumas armadas. Vamos combinar? A alta rejeição é a toda a classe política. Há alta rejeição pela questão da corrupção, da má gestão. Principalmente, pela corrupção. O estereótipo do político é de que ele rouba. Pagamos os impostos e ele não faz nada pela gente. E o governador não tem esse estereótipo. As pessoas sabem que ele é um homem honesto. Que pegou um governo com uma dívida enorme e na maior recessão do País. O setor produtivo e os servidores sabem disso..

Por que a população não avalia bem o governo?

É a interlocução com a sociedade. Porque acho que o cansaço é tão grande, as pessoas estão tão desgastadas, desanimadas, que existem muitas ações que foram realizadas, mas que não chegam à população ou ela não está incorporando isso. A gente foi ao Sol Nascente neste final de semana. Entregamos 300 mil metros quadrados de pavimentação, mais de 3 mil pontos de esgoto, mais de 3 mil pontos de água. Nós fomos lá no lançamento da campanha do governador, em 2014. Eu estava lá. Montanhas de lixo, esgoto a céu aberto. Hoje é uma cidade. E houve investimentos em outras áreas, em infraestrutura e em benefício de quem mais precisa. Nós, em três anos, em uma crise dessas, fizemos R$ 2,5 bilhões de investimentos. Agora, não no Estádio Mané Garrincha. O governo anterior fez essas grandes obras.

E foi reprovado nas urnas.

De que adianta fazer um estádio que não deixa legado para as pessoas? Nós estamos construindo o Hospital da Criança, com pouco mais de R$ 100 milhões. Várias creches. Nós demos continuidade àquilo que era do governo anterior. Nós não interrompemos nenhuma política de impacto positivo. Nossas grandes obras são Corumbá, para a crise hídrica, o Trevo de Triagem Norte, Sol Nascente e Buritizinho. Só nessas, temos mais de R$ 1 bilhão em recursos. Então, existe uma dificuldade de chegar ao coração das pessoas. E o período eleitoral vai ser a oportunidade de as pessoas poderem avaliar todas as possibilidades. É grande a festa da cidadania. E hoje as pessoas não estão muito festivas com seus direitos políticos. É importante colocar que o governador está em segundo nas pesquisas, mas quem está em primeiríssimo não é o candidato da oposição. Primeiríssimos estão os nulos, os brancos e os indecisos. Mais de 60% da população não sabe em quem votar.

Ganha quem alcançá-los?

Ganha quem convencer esse grupo dos eleitores de que vale a pena ser escolhido. Então diante disso, não tem jogo ganho. Existe uma competição.

Além de defensora do GDF, quem é Leany Lemos?

Sou Leany. Mãe de três filhos. Brasiliense. Ex-secretária de Planejamento. Professora. Cientista política. Filha de uma paraibano que veio construir essa cidade. Quem vem para Brasília também ganha amor por este lugar. Essa cidade criou muitas oportunidades quando foi construída. Foi esse período de crescimento que ajudou meus pais, que chegaram aqui com uma mão na frente e outra atrás, que gostaria que nosso país tivesse. Não construção de uma cidade. Mas de um país que acontecesse. O Brasil é promessa e não acontece. E tudo mundo está cansado disso.

Quais são suas propostas para o Senado?

Linha número 1: o Estado precisa ter desenvolvimento sustentável. Não pode ter voo de galinha. Para isso é preciso de uma boa reforma tributária e uma reforma previdenciária. O Estado não pode gastar demais consigo mesmo. Ele tem que gastar com investimento, educação, saúde e garantir qualidade de vida. Precisamos mudar nosso modelo educacional. O que gera desenvolvimento é o capital humano. Sendo mulher, mãe de família, chefe de família: a gente sabe que até 75% das mulheres mais pobres são chefes de família. Então precisamos de políticas para segmentos que apoiem as mulheres, juventude e infância para diminuir as desigualdades. Também precisamos de investimentos em Ciência, Tecnologia e Inovação.

Maioridade penal?

Eu sou contra a redução. Porque o princípio da cidadania é que todos nós temos que ter protegidos os nossos direitos básicos, à vida, à liberdade, à livre expressão, de ir e vir. Esses jovens não tiveram as oportunidades que outros tiveram, que meus filhos tiveram, de ter família, teto, afeto, escola e cuidado. Estão sendo punidos duas vezes. Porque nasceram pobres e negros, porque é a maior parte deles. E pelos crimes que cometeram. Você tem casos de níveis diferentes. Você tem casos patológicos. O menino de 14, 15 anos que mata. Esse é quadro mais grave. Mas tem o menino participando do tráfico, que roubou uma banana em uma mercearia. Todas as organizações mundiais definem a infância e a adolescência até os 18 anos.

O Sistema Único de Saúde (SUS) deve ser mantido ou encolher?

Deve ser mantido. Sou favorável ao SUS, mas acho muito importante termos parcerias. Tem coisas de que o Estado não dá conta sozinho. Na Saúde, temos o caso do Hospital da Criança. É exemplar. Temos o caso Instituto de Cardiologia. O SUS prevê a Saúde Complementar.

Como crescer fora do Estado?

Nas crises, discutimos o papel do Estado. Você tem que ter um sistema tributário que favoreça os micro e pequenos empresários. Não pode ter um sistema que pune quem está gerando emprego. Hoje o micro começa a crescer e é punido. O que ele faz? Burla o Estado, cria outra empresa pequenininha. Tem uma holding. Gera burocracia. As regras têm que favorecer o crescimento dessas empresas. O segundo ponto são linhas de financiamento. Os recursos não chegam aos pequenos. Isso tem que ser uma política nacional.

Sua candidatura representa mais uma tentativa de mulheres entrarem na política?

As dificuldades são muitas. Uma delas é a financeira. Neste ano, temos a decisão do TSE, que determinou que 30% do financiamento irá para mulheres. Antes era 30% das cotas nas listas proporcionais. A estrutura social que a gente vive “determina” que a mulher tenha alguns espaços que não são na política. Existe, hoje, um movimento de mulheres, jovens e militantes, que faz a defesa da participação das mulheres em todos os espaços. Me sinto representando essas mulheres. Elas não se vêm representadas por políticos que são eminentemente homens, mais velhos, de outra geração e que não olham os problemas das mulheres da mesma forma como nós olhamos.

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