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PF apontou ‘desempenho satisfatório’ ao sugerir ao TSE uso do atual sistema de divulgação dos votos

A corporação também afirmou que, mesmo com a alteração, o sistema do tribunal teria o potencial de continuar com um “desempenho satisfatório”

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Constança Rezende
Brasília, DF

A mudança no sistema de apuração dos votos das eleições deste ano foi aconselhada pela Polícia Federal ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o argumento de que melhoraria “consideravelmente a segurança operacional”.

A corporação também afirmou que, mesmo com a alteração, o sistema do tribunal teria o potencial de continuar com um “desempenho satisfatório”.

Os argumentos constam de relatório da Polícia Federal enviado ao TSE em outubro de 2018, ao qual a Folha teve acesso.

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No documento, a polícia disse que seria melhor o tribunal concentrar a totalização dos dados das urnas eletrônicas em Brasília. Antes, a soma era feita nos datacenters dos 27 TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) e depois remetida ao TSE.

Nas eleições municipais de 2020, a mudança na totalização dos votos levou a atrasos na divulgação parcial dos votos em todo o país.

Em São Paulo, por exemplo, o resultado só foi conhecido por volta da meia-noite de domingo (15). Estão na disputa pelo comando da maior cidade do Brasil o atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), e Guilherme Boulos (PSOL).

Até 2018, cada TRE fazia a recepção, verificação e soma dos votos. Cabia o TSE apenas proceder a leitura dos bancos de dados e a divulgação dos resultados.

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A corte, ainda na gestão da então presidente, ministra Rosa Weber, decidiu aceitar a recomendação da PF. O método, no entanto, não havia sido testado em eleições anteriores.

“Mudar a arquitetura de servidores para estarem fisicamente localizados no próprio TSE melhora consideravelmente a segurança operacional deste sistema e tem o potencial de continuar com um desempenho satisfatório, em virtude dos crescentes avanços nas tecnologias de comunicação em rede”, disse a PF em um trecho do documento.

O relatório foi enviado pelo então diretor-geral da corporação, Rogério Galloro, ao tribunal na gestão Rosa Weber. O documento é assinado por três peritos.

A PF também argumentou que, “mesmo com o uso de melhores técnicas de codificação” de armazenamento de dados, o sistema que era usado pelo TSE teria vulnerabilidade, “ainda mais em um ambiente com base de dados distribuídas em cada TRE”.

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“Com a migração dos servidores web e banco de dados locais dos TREs para o TSE esta exposição é minimizada”, disse.

Após receber a orientação, o TSE passou a fazer estudos sobre a mudança de sistema.

No sábado (14), o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Giuseppe Janino, chegou a dizer que, em 2020, o TSE “adotou uma importante mudança de paradigma” —a alteração no sistema de totalização.

Ele disse que, para tanto, foi constituída uma arquitetura de nuvem computacional, “tecnologia moderna que apresenta inúmeras vantagens”, como a economicidade —menos gastos.

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“Conseguimos baixar bastante os custos, concentrando em um processo de nuvem, fazendo a virtualização de equipamentos”, afirmou.

O funcionário disse também que a mudança traria mais segurança. “Centralizando, há uma queda significativa no risco da vulnerabilidade”, disse.

No domingo (15), dia do pleito, o presidente do TSE, ministro Luís Roberto Barroso, disse que uma falha no supercomputador responsável por esse sistema havia contribuído para o atraso na divulgação dos resultados.

Barroso afirmou ainda que não tinha “simpatia” pela mudança, mas que a decisão havia sido tomada pela gestão anterior.

Nesta segunda, o ministro disse que a PF apresentou argumentos importantes para a troca. Barroso afirmou que a demora na entrega de equipamentos por parte da empresa Oracle, em razão da pandemia da Covid-19, impediu a realização de testes prévios no sistema.

“A vida tem um componente de aleatoriedade que nem sempre é possível prever”, afirmou o ministro, quando questionado sobre se a situação já estaria normalizada a tempo para o segundo turno das eleições.

Barroso disse que os problemas serão sanados e que tem confiança na equipe que gerencia os sistemas de informação. Afirmou ainda ter “fé que não ocorrerá” novos problemas no segundo turno.

O ministro voltou a afirmar que um atraso de duas horas não configura uma situação de grande gravidade. De acordo com ele, o sistema é seguro e não houve comprometimento do resultado das eleições.

Barroso também relatou tentativas de ataques ao TSE, mas, segundo ele, as investidas dos hackers foram frustradas.

As informações são da FolhaPress




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