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Política & Poder

O voo que esvaziou Onyx

Na esteira da exoneração de auxiliar por uso de avião, presidente retira atribuições da Casa Civil

Rudolfo Lago

Publicado

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O ex-secretário executivo da Casa Civil Vicente Santini talvez tenha se tornado o detentor do recorde de passagem mais curta por um cargo de confiança no Poder Executivo.

Depois de ter sido demitido do cargo, ele foi readmitido no início da noite de quarta-feira em outro posto na mesma Casa Civil: a Secretaria Especial de Relacionamento Externo. Na manhã de ontem, Santini estava novamente demitido.

E, na esteira da nova demissão, o presidente Jair Bolsonaro esvaziou poderes da Casa Civil.
O que foi interpretado na Esplanada dos Ministérios como um sinal de enfraquecimento de mais um aliado de primeira hora do governo, Onyx Lorenzoni.

O esvaziamento de funções da Casa Civil foi anunciado na manhã de ontem pelo presidente.
E foi visto por auxiliares do Palácio do Planalto como um sinal de que Onyx, que é deputado federal pelo DEM do Rio Grande do Sul, poderá deixar o governo em breve, levando ao início de uma reforma ministerial, com a troca também de outros auxiliares.

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Uso de avião

O processo de demissão, readmissão e demissão de novo de Santini é consequência do uso, pelo ex-assessor da Casa Civil, de um jato da Força Aérea Brasileira para se deslocar de Davos, na Suíça, onde aconteceu o Fórum Econômico Mundial, para Déli, na Índia, onde se uniu à comitiva de Bolsonaro, que visitava o país.

Bolsonaro considerou o uso da aeronave “inadmissível e imoral”, uma vez que todos os demais ministros que viajaram à Índia fora do avião presidencial foram em voo comercial.

Amigo dos filhos

Santini, porém, é amigo pessoal dos filhos do presidente, o deputado Eduardo (PSL-SP) e o senador Flávio (sem partido-RJ), e a filhocracia tem sido parte importante do atual sistema de governo.  Por pressão dos filhos, Santini, demitido da Secretaria Executiva, foi realocado na Secretaria Especial.

Diante da reação negativa, na manhã de hoje, estava demitido de novo. E, na sequência da segunda demissão de Santini, o presidente anunciou a transferência do Programa de Parceria de Investimentos (PPI) da Casa Civil para a Economia, gesto que esvazia e enfraquece Onyx, que está em férias. Depois que perdeu a articulação política, era a administração do PPI uma das principais atribuições da Casa Civil.

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Onyx

Onyx foi um aliado de primeira ordem de Bolsonaro durante a campanha e o período de transição, dos quais participou como coordenador.

Desde que assumiu a Casa Civil em janeiro de 2019, o ministro viu seu poder diminuir gradualmente. Em junho de 2019, ele já havia perdido a função de articulador político, hoje na Secretaria de Governo, e a Subchefia de Assuntos Jurídicos, transferida para a Secretaria-Geral.

Comenta-se que, caso deixe a Casa Civil, Onyx poderia ser um articulador do governo no Congresso.

Desde o ano passado, mudanças em estudo

Bolsonaro estuda desde o ano passado fazer mudanças em sua equipe ministerial, mas aguardava um momento oportuno para anunciá-las. Ele adiou a tomada de decisão no fim de 2019 para negar o noticiário da imprensa de que ele estava prestes a trocar as chefias da Casa Civil e do Ministério da Educação, cujo ministro é Abraham Weintraub, que substituiu Ricardo Vélez Rodriguez.

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Segundo aliados do presidente, o caso Santini surgiu como a desculpa perfeita para que a reformulação de equipe aconteça.

Para aliados do presidente, Santini serviu apenas de “bode expiatório” para o enfraquecimento do chefe da Casa Civil.

Bolsonaro foi alertado sobre o caso de Santini pelo ministro Paulo Guedes (Economia). Ele é que apontou ao presidente que o custo do uso de um jato da FAB para o deslocamento seria algo muito elevado.

Se a saída de Onyx for confirmada, entre as possíveis soluções está a de o general Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, assumir interinamente. Outro desenho estudado é devolver a Casa Civil à Secretaria de Assuntos Jurídicos (SAJ), o que transferiria Jorge Oliveira da Secretaria-Geral para a pasta.

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Deputado

Bolsonaro estuda destacar Onyx para a articulação política, mas com um cargo no Congresso, onde ele é deputado.

A avaliação da equipe do presidente é que Onyx teria um papel mais efetivo na articulação política no Poder Legislativo, atividade que enfrenta críticas, sobretudo do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Caso Jorge Oliveira seja o escolhido para a Casa Civil, a troca de cadeiras abriria espaço para o presidente abrigar o ex-deputado federal Alberto Fraga (DEM-DF) na Secretaria-Geral. Amigo de Bolsonaro, ele teria recebido a garantia de um posto no governo.




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