fbpx
Siga o Jornal de Brasília

Política & Poder

Moro interferiu em delações para executivos da Camargo Correia

Segundo reportagem, Moro disse a procuradores da Lava Jato que só homologaria as delações se a pena incluísse pelo menos um ano de regime fechado

Willian Matos

Publicado

em

Agência Brasil
PUBLICIDADE

Willian Matos
[email protected]

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, interferiu em negociações de delações para dois executivos da Camargo Correia. Juiz à época, Moro disse a procuradores da Lava Jato que só homologaria as delações se a pena para os executivos incluísse pelo menos um ano de prisão em regime fechado.

As penas são referentes aos executivos Dalton Avancini e Eduardo Leite. No dia 23 de fevereiro de 2015, o coordenador da operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, teria dito ao condutor do processo de negociação com os executivos, Carlos Fernando dos Santos Lima, para que consultasse Moro sobre as penas para os delatores.

“A título de sugestão, seria bom sondar Moro quanto aos patamares estabelecidos”, teria sugerido Deltan ao procurador.

Carlos Fernando, então, se mostrou contrário: “O procedimento de delação virou um caos. O que vejo agora é um tipo de barganha onde se quer jogar para a plateia, dobrar demasiado o colaborador, submeter o advogado, sem realmente ir em frente”, comentou. O procurador teria dito que não sabia negociar “como se fosse um turco” e que isso é “até contrário à boa fé”.

Em outra conversa, Deltan perguntou a Carlos Fernando se queria fazer os acordos com a Camargo “mesmo com pena de que o Moro discorde”. “Acho perigoso para o relacionamento fazer sem ir falar com ele, o que não significa que seguiremos”, completou.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A opinião de Moro, no fim das contas, teria sido respeitada. Os acordos foram assinados e os dois executivos, Avancini e Leite, sairiam da cadeia com tornozeleiras para cumprir a pena em casa. Na delação, eles falaram sobre o pagamento de propina a políticos e dirigentes da Petrobras e a respeito do cartel que foi organizado pelas empreiteiras para fraudar processos de licitação da estatal.

Procurado pela Folha, Sergio Moro afirmou que não participou de nenhuma negociação para acordo de delação enquanto atuou na Lava Jato. “Cabe ao juiz, pela lei, homologar ou não acordos de colaboração. Pela lei, o juiz pode recusar homologação a acordos que não se justifiquem”, informou por meio de nota. Já a força-tarefa da Lava Jato informou que não comentaria o caso.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As conversas foram vazadas em mais uma reportagem do The Intercept e divulgadas pela Folha de S.Paulo.




Leia também


Publicidade
Publicidade
Publicidade