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Política & Poder

Mônica Bergamo e Míriam Leitão criticam restrições para acompanhar a posse de Bolsonaro

Ana Lúcia Ferreira
redaçã[email protected]

Presidente eleito, Jair Messias Bolsonaro, tomou posse de seu cargo nesta terça-feira (1º). Antes do dia da cerimônia, notícias e informações sobre as restrições impostas para o público e os profissionais de imprensa que acompanhariam o evento geraram discussões e críticas na internet e também nos meios sociais.

Apesar dos constantes anúncios sobre a presença de atiradores de elite, caças com autorização para abater e segurança reforçada nos diversos pontos por onde o presidenciável iria passar, o impacto maior foi relacionado às restrições de equipamentos, objetos e até mesmo alimentação para quem estivesse presente na posse do 38º presidente do Brasil.

Escaladas para realizar a cobertura da posse de Bolsonaro, as jornalistas Mônica Bergamo e Míriam Leitão, da Folha de São Paulo e O Globo, respectivamente, relataram em seus blogs parte das experiências vivenciada neste dia. Em “Um dia de cão” e “Com o pretexto da segurança, o trabalho da imprensa está sendo restringido na posse”, as profissionais relatam o que viram, ouviram e presenciaram. 

“Cubro posse desde o general João Figueiredo. Nunca houve nada tão restritivo. Naquela época, eu era uma jovem jornalista e tive acesso a vários pontos da cerimônia, circulei, fui convidada para o jantar de gala porque era responsável pela cobertura do Itamaraty. Lá pude falar com os novos ministros.”, reclamou Míriam Leitão.

Em seu blog, a jornalista criticou as limitações impostas para locomoção da imprensa, bem como a possibilidade de ir e voltar para um ponto específico, apenas com o transporte do governo.

Em sua defesa e de seus colegas, Míriam afirmou: “jornalistas precisam circular pelo local onde estão, falar com as diversas pessoas. É a chance de se aproximar dos novos ministros ou assessores, de fazer fontes ou de ouvir as notícias. Mas se ficam confinadas num local específico, como se fossem gado em um curral, não conseguem fazer seu trabalho”, desabafou.

Mônica Bergamo também afirmou o descontentamento dela e de seus colegas. Com riqueza de detalhes, ela explanou o que foi definido pela assessora do Palácio do Planalto que acompanhava os profissionais de imprensa escalados para a cobertura como “uma posse diferenciada”.

“Foi, de fato, algo jamais visto depois da redemocratização do país, em que a estreia de um novo governo eleito era sempre uma festa acompanhada de perto, e com quase total liberdade de locomoção, pelos profissionais da imprensa.”, destacou Mônica.

Assim como Míriam, Bergamo destacou a dificuldade de ir e vir, comentou sobre as restrições do uso de equipamentos e alimentação e fez comparação com a posse de presidentes anteriores como Lula e Dilma.

“Na posse de Lula, em 2003, repórteres chegavam a se aglomerar em torno dele e de Fernando Henrique Cardoso, misturando-se entre a equipe recém-empossada e a que deixava o governo.”, lembrou. E completou que “chegou a entrar em salas privadas com o então vice-presidente dos EUA Joe Biden na posse de Dilma Rousseff, em 2014”.

Leia Mais: Dilma e FHC não têm cadeiras reservadas para a posse de Bolsonaro

Sindicato se manifesta

No Distrito Federal, n decorrer da posse presidencial, o Sindicato dos Jornalistas soltou uma nota em que exigia das autoridades responsáveis pela relação com a imprensa durante o evento uma mudança imediata no tratamento oferecido aos profissionais de imprensa. De acordo com a instituição, desde o início da manhã de hoje, denúncias em relação ao desrespeito e abuso contra os jornalistas foram recebidas.

 

Antes, o Sindicato já havia se manifestado sobre as restrições apresentadas. Ele chegou a soltar um comunicado em que pedia garantias a jornalistas que atuassem no evento marcado para o primeiro dia de 2019.

 

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