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Política & Poder

EUA impõem novo revés ao Brasil ao manter veto à carne e frustram governo

O porta-voz da presidência, general Otávio Rêgo Barros, diz que o resultado esperado era outro. “A nossa expectativa era a de que o veto não se mantivesse”

Aline Rocha

Publicado

em

Foto: Agência Brasil
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Os Estados Unidos mantiveram o veto à compra de carne bovina brasileira, decretado em 2017. A decisão frustra as expectativas do governo Jair Bolsonaro, que dava como certa a liberação. O tema está incluído nas negociações da parceria estratégica entre os dois países, uma das vitrines do governo brasileiro. Os produtores também ficaram frustrados com a ação dos EUA.

O porta-voz da presidência, general Otávio Rêgo Barros, reconheceu que o resultado esperado era outro. “A nossa expectativa era a de que o veto não se mantivesse”, disse na segunda-feira, 4.

Além de ter uma demanda grande, o mercado norte americano serve como uma referência para outros países liberarem a importação da carne brasileira. De janeiro a março de 2017, último ano antes do veto, o Brasil exportou 11,8 mil toneladas de carne in natura para os EUA, o que represente US$ 49 milhões.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, aproveitará uma viagem para os EUA neste mês para tentar reverter o embargo. Será o ponto principal da pauta.

A expectativa do governo, informou o porta-voz, é que, em uma nova inspeção, a restrição à carne brasileira seja retirada. “Temos todas as capacidades. Já as apresentamos para os interlocutores e a expectativa é de que o mercado esteja aberto, como tantos outros, à carne brasileira”, completou.

A decisão de manter o veto foi tomada pelos Estados Unidos depois de uma inspeção técnica, feita pelo departamento de agricultura americano no Brasil. No documento, foram solicitadas informações adicionais e a realização de uma nova inspeção. Somente depois deste novo procedimento, uma reconsideração poderá ser realizada.

A suspensão da venda de carne brasileira in natura para os Estados Unidos foi determinada em 2017, numa reação à Operação Carne Fraca. A investigação, feita pela Polícia Federal, trouxe à tona suspeitas de adulteração de carne e obtenção fraudulenta de atestados fitossanitários.

Diante das denúncias, o governo americano iniciou uma avaliação de todos os carregamentos de carne enviados pelo Brasil. No período, o país rejeitou 11% dos produtos, uma cifra substancialmente superior do índice de rejeição apresentado por outros países. Diante desses dados, e alegando “preocupações recorrentes”, com a segurança do produto, a importação foi suspensa.

A decisão representou um duro golpe para exportadores de carne brasileiros. O setor havia conseguido exatamente dois anos antes a liberação do mercado americano para seus produtos. Apesar do sinal verde dado em 2015, somente no ano seguinte a primeira exportação foi efetivada. Na época, o volume de vendas não era muito significante. O sinal dado pelo governo americano agora tem um efeito oposto.

Desde que assumiu, o governo Bolsonaro concentra esforços para que tal restrição seja derrubada. Esta é a segunda notícia que frustra o governo Bolsonaro procedente dos Estados Unidos nas últimas semanas.

Em outubro, o governo dos Estados Unidos manteve o apoio às candidaturas da Argentina e da Romênia para uma vaga na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e, ainda, se opôs à ampliação do número de integrantes da organização, reduzindo, assim, as chances de ingresso do Brasil

A decisão dos Estados Unidos contrariaram uma expectativa nutrida depois da viagem de Bolsonaro àquele país, em março. Na ocasião, o governo brasileiro dava como certo o apoio dos EUA na candidatura. Na negociação da época, o Brasil abdicou de benefícios na Organização Mundial do Comércio.

China

Pouco antes da confirmação de que os EUA mantiveram o veto à carne brasileira, o governo comemorou a habilitação, pela China, de sete plantas frigoríficas de Santa Catarina para exportar miúdos de suínos. “As exportações já podem ter início imediato. Medida vai movimentar a economia catarinense e gerar mais renda para os produtores rurais”, afirmou ministra da Agricultura, Tereza Cristina, em sua conta oficial do Twitter.

Segundo a titular da pasta, a habilitação é consequência da missão recente do governo federal à Ásia. “A habilitação é resultado das tratativas realizadas durante viagem do presidente Jair Bolsonaro ao país asiático no fim de outubro”, disse.

Das sete plantas de miúdos de suínos de Santa Catarina habilitadas para exportar à China, duas são da Seara (JBS), duas da Aurora e duas da Pamplona Alimentos. A sétima unidade é da BRF.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

‘EUA são excelente mercado e vamos reabri-lo’, diz ministra da Agricultura

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou nesta terça-feira, 5, ter ficado decepcionada com as novas exigências dos Estados Unidos para a reabertura do mercado de carne bovina in natura para o Brasil. A suspensão ocorreu em 22 de junho de 2017, após a primeira etapa da Operação Carne Fraca.

Segundo a ministra, mesmo após vistorias em frigoríficos brasileiros, os norte-americanos querem “rever pontos” no acordo sanitário para a retomada das importações.

Ela deve tratar do assunto em com o secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Sonny Perdue, durante visita que fará àquele país a partir do dia 17.

“Os Estados Unidos são um excelente mercado e vamos reabri-lo, sim. Agora, vamos ver o que está precisando no dever de casa, o que faltou”, disse a ministra após o Congresso Brasileiro de Gestores da Agropecuária, em Brasília. “Eu fiquei um pouco decepcionada, achei que tínhamos cumprido todas as etapas, mas isso é mercado internacional, é assim que funciona e quem manda é quem está comprando.”

A ministra considerou que há “euforia de exportações de carne brasileira para a China” e voltou a comemorar a habilitação de sete plantas de Santa Catarina para exportar miúdos ao país oriental anunciada na segunda-feira.

“O Brasil vive novo momento e precisamos aproveitá-lo. Temos de ter profissionais, pois a nossa produção é boa. Temos de estar pronto para receber essas missões, entregar o que pedem para poder abrir esse mercado”, concluiu Tereza Cristina.

 

Estadão Conteúdo


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