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Episódio é inaceitável, diz Bolsonaro sobre militar preso na Espanha

Ministros do STF discutem prisão de sargento acusado de transportar cocaína

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O presidente Jair Bolsonaro voltou ao Twitter nesta quarta-feira, 26, para comentar a prisão do sargento da Aeronáutica, em Sevilha, na Espanha, que chegou ao país com 39 quilos de cocaína em sua bagagem pessoal. O chefe do Executivo disse que o episódio é “inaceitável”.

“Apesar de não ter relação com minha equipe, o episódio de ontem, ocorrido na Espanha, é inaceitável. Exigi investigação imediata e punição severa ao responsável pelo material entorpecente encontrado no avião da FAB. Não toleraremos tamanho desrespeito ao nosso País!”, escreveu o presidente na rede social. O sargento, que é comissário de bordo, não atenderia ao avião presidencial, mas ao avião reserva.

O caso foi destaque nas redes sociais nesta quarta-feira e chegou a ser destaque no noticiário internacional.

Ministros do STF discutem prisão de sargento acusado de transportar cocaína

O episódio do sargento da Aeronáutica preso na Espanha sob a acusação de transportar drogas na bagagem foi discutido nesta quarta-feira, 26, por ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) durante a sessão plenária realizada à tarde. O sargento, que é comissário de bordo, não atenderia ao avião presidencial de Jair Bolsonaro, mas ao avião reserva.

A discussão do episódio veio à tona enquanto os ministros do STF debatiam um outro caso – a Operação Métis, que apura a suspeita de que policiais legislativos do Congresso Nacional atrapalharam o andamento das investigações da Operação Lava Jato. Nesse caso, a defesa de um dos policiais legislativos alega que o juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, do Distrito Federal, usurpou a competência do Supremo ao determinar a prisão de policiais nas dependências do Senado Federal. Os senadores possuem prerrogativa de foro perante ao STF.

Na época dos fatos, o então presidente do Senado, Renan Calheiros (MDB-AL), chamou Vallisney de “juizeco”.

Durante a discussão desta tarde, o decano do STF, ministro Celso de Mello, disse estar preocupado com a construção de “santuários de proteção de criminosos comuns” com relação a certos espaços institucionais reservados a autoridades com prerrogativa de foro privilegiado. No caso da Métis, a operação envolveu policiais legislativos – sem foro no STF – nas dependências do Congresso; no caso do sargento, a apreensão de cocaína de tripulante em avião da FAB.

“Pegue-se, por exemplo, situação de avião da FAB, que serve a Presidência da República, e em cujo interior é apreendida quantidade imensa de drogas. Haveria necessidade de se instaurar procedimento de investigação quando não há qualquer conexão do fato aparentemente delituoso com o presidente da República e sim com algum auxiliar seu, por exemplo um sargento taifeiro?”, questionou Celso de Mello na sessão.

O ministro Alexandre de Moraes, por sua vez, respondeu que a preocupação de “santuário de autoridades” é de todos. “Mas a questão não é de impedir ou não busca e apreensão, intercepção ou não, pedir ou não medidas. A questão é: quem é constitucionalmente responsável, quem é o juiz natural? Essa é a questão. A questão do avião, isso nunca ocorreria. Mas: crime em flagrante, apreensão, não há nem necessidade de se abrir inquérito no Supremo. Agora, vamos dizer que daqui a duas semanas a polícia quiser fazer perícia no avião presidencial, pede não só apreensão, mas deslocamento do avião presidencial, seria no juiz de primeiro grau? Creio que não”.

Neste momento, o ministro Marco Aurélio interveio na conversa e comentou: “Por que não?”

A Força Aérea Brasília já abriu o Inquérito Policial Militar (IPM) que vai investigar a prisão do 2º sargento da Aeronáutica, em Sevilha, Espanha, na manhã de terça-feira, após ter chegado àquele país com 39 quilos de cocaína, em sua bagagem pessoal.

Imprensa Nacional 

A imprensa internacional repercute nesta quarta-feira, 26, a prisão de um militar brasileiro acusado de transportar 39 kg de cocaína em um avião que integrava a comitiva do presidente Jair Bolsonaro. O homem, de 38 anos, um sargento da Força Aérea Brasileira (FAB), foi preso no aeroporto de Sevilha, na Espanha, e estava no grupo de 21 militares que dão suporte à viagem presidencial até Tóquio, onde Bolsonaro participará da reunião do G-20. O presidente não estava no mesmo avião que o militar preso.

O diário Le Monde, um dos principais da França, escreve que essa não era a primeira viagem presidencial do sargento e que a situação dá elementos para a oposição criticar o presidente. “Bolsonaro abalado pelo caso ‘Aerococa’, depois que 39 kg de cocaína foram encontrados em um avião oficial” foi o título dado pelo diário parisiense. 

O jornal americano The Washington Post deu ao caso ênfase diferente da dos periódicos britânicos, citando Bolsonaro somente no quarto parágrafo da reportagem e reproduzindo com destaque informações técnicas sobre a apreensão dadas por uma fonte anônima integrante da guarda civil espanhola.

“Cocaína na Espanha coloca Bolsonaro sob tensão” foi o título da publicação inglesa Financial Times, que classificou o caso como “um constrangimento internacional para Bolsonaro” em matéria publicada em seu site. A reportagem diz ainda que “a detenção é um baque para o direitista Bolsonaro, cujo governo está tentando endurecer as leis sobre drogas e tem frequentemente louvado as Forças Armadas”.

A revista alemã Der Spiegel também dedicou espaço ao caso em seu site. Em texto curto, apenas relata a situação e cita que o soldado integrava a comitiva do presidente para a viagem ao G-20 “Militar na comitiva presidencial brasileira tinha 39 quilos de cocaína”.

Na Espanha, o El País intitulou a reportagem com “Detido em Sevilha um militar da comitiva de Jair Bolsonaro com 39 quilos de cocaína” e explicou que a droga foi encontrada por agentes espanhóis quando o militar brasileiro desceu do avião da FAB com um saco de guardar roupas e uma mala de mão.

Estadão Conteúdo. 


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