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Política & Poder

Eleições municipais: Novo no discurso, talvez velho na prática

Governador de Minas Gerais vai a Joinville (SC) em voo comercial, mas omite escolta em avião do governo

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Cezar Camilo
redaçã[email protected]

Em uma eleição fortemente marcada pela preferência do eleitor em nomes e partidos mais experientes, a nova política que marcou o pleito de 2018 ficou bastante de lado. E um partido surgido recentemente justamente com o nome de Novo parece ter sentido na pele os efeitos dessa mudança de comportamento.

O partido Novo não elegeu nenhum prefeito no primeiro turno. E não está no segundo turno em nenhuma capital do país. A principal cidade que disputa agora é Joinville, em Santa Catarina.

E, por essa razão, na última sexta-feira (20), o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, uma das principais estrelas do partido, foi à cidade para prestigiar o correligionário Adriano Silva, que tenta agora na segunda volta o cargo de administrador de Joinville.

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Dentro do seu discurso de renovação da política, o Novo afirma não ter usado recursos públicos na campanha política.

Seguindo a mesma linha de justificativa, Zema declarou ter ido a Joinville em voo comercial. Postou nas redes sociais comentários sobre as etapas da viagem, reprodução do bilhete usado, vídeos chegando ao aeroporto.

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O que Zema, porém, omitiu em todas essas postagens é que, ao lado de tudo isso, dinheiro público foi, sim, usado na viagem. Para custear a ida, em avião da Polícia Militar de Minas Gerais, do seu staff de segurança.

Zema negou que tenha usado dinheiro público para custear as passagens, disse que foram compradas em uma companhia privada, custeadas pelo partido.

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Em vídeo divulgado nas redes sociais de Adriano Silva, o governador rebateu notícias falsas sobre a origem das despesas no seu deslocamento.

“Diferente do que falam as ‘fake news’, eu viajei em vôo comercial, pago pelo partido Novo, tudo documentado nas minhas redes sociais”, disse o governador. “Não procede a informação de que eu utilizei aviões do governo”, completou. Ele não usou. Mas sua segurança, sim.

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Gabinete Militar

Questionado sobre a atuação na viagem última viagem de Zema, o Gabinete Militar do governador disse em nota que acompanhou a visita, bem como a qualquer outra ocasião em que a segurança do chefe do executivo dependa da atuação do gabinete.

“Nos deslocamentos previstos, o Gabinete Militar realiza uma detida análise do melhor custo-benefício para o envio da equipe de segurança, primando pelas premissas da eficiência, eficácia, racionalidade, razoabilidade e economicidade”, completaram.

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Trata-se da determinação legal, prescrita na Lei 23.304/2019 e no Decreto 47.777 de 2019, em que compete a ao Gabinete Militar do Governo do Estado de Minas Gerais a segurança pessoal do governador, em qualquer situação.

Na nota, o governo de Minas ressalta que, “na atual gestão, a aviação do Estado passou a ser utilizada em várias áreas, como Saúde, inclusive para o transporte de órgãos e tecidos, Segurança Pública, Meio Ambiente, Defesa Civil”.

Viagem não era um ato de governo

A nota do governo de Minas Gerais completa: “Além disso, houve uma redução significativa nos gastos com a utilização de aeronaves do Estado. Até o momento, a economia é de 57% , quando comparado aos dois últimos anos da gestão anterior”.

Mas o governo de Minas Gerais não informou quanto foi gasto especificamente no deslocamento da equipe de segurança para Joinville. No caso, uma atividade político-partidária particular de Romeu Zema e do partido Novo, não um compromisso relacionado à atividade de governador.

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Em termos gerais, de outubro até ontem, última atualização do Portal da Transparência do governo mineiro, a informação é que foram gastos R$ 1,829 em diárias de tripulação do Gabinete Militar. Desde o início de 2020, o Gabinete despendeu R$ 68.786,00 em custo com deslocamento do secretariado. Isso inclui as diárias dos funcionários públicos e passagens aéreas quando o transporte não depende dos aviões estatais. Não há detalhamento no portal quanto aos serviços prestados e a data. Procurados, o Governo de Minas Gerais e o Gabinete Militar comprometeram-se a prestar maiores esclarecimentos quanto à nota,mas depois deixaram de atender às ligações.




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