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Política & Poder

Centrão busca nome fora da polarização

Dirigentes de DEM, PP, PL, Republicanos, Solidariedade e Avante não querem cometer o mesmo “erro” de 2018, quando apoiaram Alckmin à presidência

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Dirigentes de partidos do Centrão começaram a montar uma estratégia para conquistar, nas redes sociais, o eleitor que se opõe à polarização entre direita e esquerda. Sem candidato próprio para a disputa de 2022, o grupo é contrário à reeleição do presidente Jair Bolsonaro e há um racha em torno do apoio ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), cotado para disputar o Planalto. O núcleo duro desse bloco é formado por DEM, PP, PL, Republicanos (ex-PRB), Solidariedade e Avante.

As reuniões são sempre feitas com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que defende uma agenda liberal e também se movimenta para construir uma alternativa de centro com um lastro social. O jornal O Estado de S. Paulo mostrou, no início deste mês, que já está em curso uma articulação – envolvendo políticos, economistas e representantes de grupos de renovação – na tentativa de emplacar a candidatura do apresentador de TV Luciano Huck, em 2022. Huck não confirma a intenção de concorrer à sucessão de Bolsonaro.

Os encontros reservados de líderes do Centrão, no entanto, têm sido feitos para buscar outra opção. Na prática, dirigentes dos partidos não querem repetir o que classificam como “erro” de 2018, quando se aliaram ao PSDB e apoiaram a candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin. Maia também chegou a se insinuar para o Planalto, mas desistiu. Após a derrota de Alckmin, o grupo procurou se desvincular do carimbo de Centrão, considerado pejorativo. A Câmara proibiu até o uso do termo em seus veículos – rádio, TV e agências de notícias.

Dois profissionais de redes sociais foram levados, nesta quarta-feira, 11, para conversar com dirigentes do Centrão. Maia estava presente. O plano do grupo é dar voz ao movimento na internet, tendo como bandeiras propostas para o crescimento e geração de empregos, além da defesa das reformas econômicas, como a da Previdência, que já foi aprovada na Câmara.

A busca por eleitores que não se encaixam nem na direita nem na esquerda é considerada essencial para a estratégia. O estatístico Paulo Guimarães, guru do DEM, calcula esse universo em 60% do eleitorado. A avaliação é a de que muitos não querem a volta do PT, mas se decepcionaram com Bolsonaro e estão à procura de outros candidato.

Prefeito de Salvador e presidente do DEM, ACM Neto negou que o partido já esteja tratando de 2022, porque, antes da disputa presidencial, tem a eleição para as prefeituras, no ano que vem. “Não é hora de apoiar nem de vetar ninguém. Seria um ato de grande irresponsabilidade”, afirmou ele, que deve concorrer ao governo da Bahia. ACM Neto também rebateu comentários sobre a criação de um partido único de centro, tendo à frente o PSDB, o DEM e o PSD. “A chance de isso ocorrer é zero”, disse. Foi o próprio Maia quem anunciou, em agosto, a ideia de fusão. Na ocasião, estava ao lado de Doria e do deputado Alexandre Frota (SP), que foi expulso do PSL e passou a integrar a bancada tucana.

“O PSDB e o DEM estarão juntos em 2020 e em 2022”, declarou Maia na ocasião. “O fim das coligações vai nos levar à necessidade de uma reorganização e há forte possibilidade de termos o DEM e o PSDB como o mesmo partido.” Menos de um mês depois, porém, integrantes de ambos os partidos chegaram à conclusão de que é melhor esperar o desfecho das eleições municipais para dar o próximo passo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Estadão Conteúdo


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