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Política & Poder

Bolsonaro: um presidente em isolamento

Líderes políticos se unem e resolvem agir à revelia do presidente para manter Mandetta

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em

Foto: Sérgio Lima/ AFP
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Rudolfo Lago e Lucas Valença
redacao@grupojbr.com

Na manhã de ontem, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) procurou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Era o início de uma ampla articulação entre os principais líderes do governo para reagir à atitude do presidente Jair Bolsonaro que, no domingo (29), contrariou todas as recomendações feitas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e por seu próprio ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e resolveu sair às ruas de Brasília novamente para confraternizar com pessoas e pregar a reabertura do comércio e uma flexibilização das medidas de confinamento.

A partir da conversa com Rodrigo Maia, Aguinaldo, que é o atual relator do Orçamento e cotado para suceder o deputado do DEM do Rio de Janeiro na presidência da Câmara, começou a conversar também com os demais líderes tanto do centro quanto da oposição com um único objetivo: isolar Bolsonaro.

Na Justiça

No sentido imediato, os líderes combinaram que, num primeiro momento, atuarão para evitar qualquer tentativa de o presidente obter sucesso caso queira diminuir as restrições de circulação que foram estabelecidas para evitar a disseminação do novo coronavírus. Também foram estabelecidos contatos com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, e outros ministros da Suprema Corte, no sentido de garantir que qualquer medida tomada que contrariasse as orientações das autoridades internacionais de saúde cairia após pedido de intervenção da Justiça.

Algumas manifestações de ministros importantes do governo, no sentido de manutenção do isolamento, também deram a demonstração do tamanho do isolamento hoje do presidente. Fizeram comentários nessa linha os ministros da Economia, Paulo Guedes, da Justiça, Sergio Moro, e até Damares Alves, da Mulher. “Na verdade, do ponto de vista político, quem parece estar em isolamento social é o presidente Bolsonaro”, analisa o cientista politico André César.

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Os líderes também trabalharam no sentido de esvaziar politicamente as bases de Bolsonaro. As primeiras defecções vieram da Bancada da Bala. “Não é uma base cega. A Bancada da Bala é aliada, mas não é devota”, disse o deputado Capitão Augusto (PL-SP), líder da bancada, à jornalista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo. O deputado Marcos Pereira (PR-ES) foi a ponte para trabalhar também posições semelhantes na bancada evangélica.

Mandetta

Medidas mais extremas, porém, também fizeram parte das conversas dos principais líderes políticos. No caso, o estopim para isso se daria se ele tomasse a decisão de demitir Mandetta. Hoje, o ministro da Saúde é visto como a garantia de manutenção das medidas de restrição. É quem tem a confiança da sociedade e dos principais atores políticos, especialmente os governadores. Ocupa uma posição que já foi atribuída no passado a Sergio Moro. “Mandetta é hoje o Moro de jaleco”, observa o analista político Leopoldo Vieira.

Ontem, Bolsonaro manteve Mandetta no posto. Tomou a decisão de centralizar agora as coletivas sobre o novo coronavírus no Palácio do Planalto, para dar um sentido de unidade de discurso. Mas, Mandetta foi na contramão de Bolsonaro. “É preciso máximo grau de distanciamento.”

Saiba Mais 

Para o deputado federal Luis Miranda (DEM/DF), vice-líder do chamado blocão, não é o momento de “colocar as questões econômicas à frente das de saúde”, já que todos os países que se colocaram contra os especialistas em saúde e contra as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) tiverem de voltar atrás na postura.

“O mundo inteiro que desobedeceu às orientações está pagando um preço caríssimo. A Itália, por exemplo, decumpriu e depois as consequências foram terríveis”, afirmou.

O vice-líder do governo no Senado Federal, senador Izalci Lucas (PSDB/DF), lamentou o que considerou uma “falta de planejamento em conjunto” dos governantes brasileiros.

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“Os prefeitos estão apartados das discussões. É preciso uma ação articulada entre os entes federados”, defendeu.


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