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Política & Poder

Agulhadas políticas que só embaralham a pandemia

Posições tanto do presidente como de João Doria irritam especialistas na área de saúde

Rudolfo Lago

Publicado

em

Foto: Agência Brasil
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De um lado, aquele que comanda a Nação e deveria dar o exemplo declara que “não vai tomar vacina, e ponto final”. Do outro, o governador que é seu principal opositor vende a vacina em que apostou como panaceia milagrosa
embora seu uso não esteja autorizado pelas agências sanitárias. No meio, os especialistas em saúde mostram-se cada vez mais irritados com a excessiva politização do tema, a guerra das vacinas, que classificam de “absurda”.

O presidente Jair Bolsonaro afirmou que não vai tomar a vacina “e ponto final” em entrevista ao apresentador José Luiz Datena, no programa Brasil Urgente, da TV Bandeirantes. “Minha vida está em risco? O problema é meu”.

Em primeiro lugar, se o presidente acha que sua vida estar em risco é um problema só dele, deveria, então, dispensar todo o caro staff de segurança que o acompanha. Em segundo lugar, Bolsonaro já contraiu a doença. Portanto, em
tese, ele já está imunizado quanto à covid-19. Não precisa, de fato, tomar vacina. Mas, finalmente, quando ele faz tal afirmação ajuda a aumentar a desconfiança quanto à imunização da população, o que só contribui para prolongar a pandemia.

Na mesma linha, Bolsonaro defendeu os termos da Medida Provisória que editou e será analisada esta semana pelo Congresso Nacional. A MP contém um dispositivo que não se repetiu em nenhum país do mundo. Determina que antes de tomar a vacina, o cidadão assine um termo de responsabilidade em que assume os eventuais riscos de contrair a substância.

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Qualquer vacina que vier a ser disponibilizada à população terá passado antes por uma bateria de testes e terá recebido autorização de uso tanto de agências internacionais quanto no Brasil da Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Saúde). Ou seja: estará certificada quanto ao seu risco. Assim, a disposição parece inócua. Ela só contribuirá para aumentar a desconfiança da população quanto a ela.

Colocando todas essas condicionantes quanto à vacina, Bolsonaro afirmou que vai liberar R$ 20 bilhões para a compra de imunizantes, e que a vacinação não pode ser obrigatória. “É universal, à disposição de quem quiser. Mas tem que ter responsabilidade. O fabricante fala que não é responsável por efeito colateral nenhum”.

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Responsabilidade

A questão do termo de responsabilidade será inserida na MP pelo relator Geninho Zuliani (DEM-SP). Trata-se da medida provisória que trata da inclusão do Brasil no consórcio global de vacinas contra Covid-19.

A ideia foi defendida na segunda-feira (14) pelo presidente Jair Bolsonaro, que tem levantado dúvidas sobre a eficácia das vacinas e se queixado que laboratórios estarão isentos de responsabilidades futuras. “É uma grande preocupação do presidente, que também é nossa, quanto à responsabilidade civil do Governo Federal”, disse Zuliani no Palácio do Planalto, após reunião com o presidente.

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“O termo jurídico é consentimento informado. Então a pessoa [imunizada] sabe que vai estar tomando uma vacina que foi feita a primeira, segunda e terceira fase, mas que não foi um estudo tão aprofundando como outras vacinas”, disse Zuliani.

Doria deixa especialistas no escuro

A excessiva politização da discussão em torno das vacinas é também pontuada pelo comportamento oposto do governador João Doria, que tenta tirar dividendos no patrocínio que faz da vacina Coronavac, produzida pelo Instituto Butatan em parceria com o laboratório chinês Sinovac.

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Reportagem do site UOL afirma que médicos reclamam que estão “no escuro” até agora sobre a eficácia também do plano de imunização criado por Doria em torno da Coronavac, a vacina que o Instituto Butantan estuda em parceria com o laboratório chinês Sinovac.

Na segunda-feira, o Butatan adiou o envio dos resultados preliminares que tem quanto à eficácia da vacina. Disse que os entregará em dez dias. Em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo, o biólogo Fernando Reinach, PHD em biologia celular e molecular pela Universidade de Cornell, afirmou que esse adiamento na entrega por ter por trás problemas ocultos. Reinach cogita um problema nos testes, um resultado ruim ou mesmo jogo político. O Butantan rebateu o artigo em nota.

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Ao site UOL , outros especialistas disseram acreditar que o adiamento é tão somente “jogo político”, algo totalmente contrário ao que se recomendaria em um momento tão grave como o que a humanidade está passando.

“Acho que é o uso político. Está aumentando a tensão com Bolsonaro”, diz, por exemplo, o médico sanitarista e ex-presidente da Anvisa, Gonçalo Vecina Neto. “O Butantan sempre vai poder dizer que os dados não estavam prontos. E agora que o Butantan vai jogar os dados para cima da Anvisa, vai querer que a Anvisa aprove em segundos. E aí a pressão política vai ser muito maior”, afirmou.

Preparados para uma nova rodada de conversas com o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, sobre a vacinação contra a covid-19, governadores foram surpreendidos por um convite feito pelo Palácio do Planalto, ontem, para cerimônia de lançamento oficial do plano nacional de imunização, hoje às 10h, com a presença de Jair Bolsonaro. (Com Agências Folha e Estado).




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