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Tecnologia & Inovação

“Guerra de tokens” acende alerta sobre dados no Judiciário

Especialistas discutiram estruturas próprias de IA, segurança digital e preparação de servidores para novas tecnologias

Redação Jornal de Brasília

08/10/2026 17h05

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Foto: ExpoJud/Divulgação

A disputa por capacidade de processamento e o controle sobre dados sensíveis já fazem parte dos desafios enfrentados por instituições que adotam inteligência artificial. Durante uma palestra sobre transformação digital, a Dell defendeu que órgãos públicos tenham estruturas próprias para processar e armazenar dados, reduzindo a dependência de provedores externos.

O tema foi discutido nesta quinta-feira (8), terceiro dia do ExpoJud 2026, em Brasília. O congresso reuniu representantes de empresas de tecnologia e tribunais em debates sobre segurança da informação, modernização dos serviços judiciais e uso de novas ferramentas no setor público.

Na apresentação, Vicente Moliterno, representante da Dell, chamou o aumento da demanda por capacidade computacional de uma “guerra de tokens”. Para ele, o Judiciário precisa combinar serviços em nuvem com estruturas internas, principalmente por lidar com informações sigilosas. A preocupação envolve também a soberania dos dados e as legislações dos países onde estão os fornecedores.

Outro exemplo apresentado foi o projeto de intimações pelo WhatsApp do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). A solução integra o aplicativo ao sistema eproc e permite que usuários recebam comunicações processuais por um canal adicional, sem substituir os meios oficiais. A adesão depende de consentimento e pode ser cancelada posteriormente.

Tecnologia depende de pessoas

A preparação dos servidores também entrou na programação. Teófilo Teixeira Dias e Carlos Arimatéa, do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), defenderam que a transformação digital precisa caminhar junto com governança, liderança e letramento digital.

A ideia é preparar as equipes para usar novas ferramentas com mais segurança e entender os impactos dessas mudanças na rotina. Para os representantes do tribunal, a transformação envolve também uma mudança de cultura dentro das instituições.

No painel “Agenda 2027”, Andrea Fodor, da Hitachi Vantara Brasil, Igor Ripoll, da Palo Alto Networks, e o desembargador José Wilson Ferreira de Araújo Júnior, do TRE-PI, discutiram os próximos desafios para a tecnologia no Judiciário.

José Wilson destacou a preocupação com conteúdos falsos e informações fora de contexto durante as eleições. “É uma preocupação contínua da Justiça Eleitoral”, afirmou. Andrea Fodor defendeu que a tecnologia seja adotada a partir dos problemas que precisam ser resolvidos. “Sempre colocar o cidadão no centro do que nós estamos transformando”, disse.

Já Igor Ripoll chamou atenção para o impacto de falhas tecnológicas sobre a confiança nas instituições. “No Judiciário, a credibilidade é incondicional”, destacou.

A programação também teve lançamentos de livros sobre inovação e gestão pública, entre eles CFO da Inovação, de Roosevelt dos Santos Figueiredo; Tecnologia como política pública, de Fábio Correa Xavier; e Liderança Pragmática Criativa, de Wesley Vaz.

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