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Tecnologia & Inovação

EA fecha BioWare após 30 anos e encerra estúdio que criou Mass Effect e Dragon Age

Reestruturação corta cerca de 400 funcionários, cancela novo Mass Effect e encerra um dos estúdios mais históricos dos RPGs após anos de decisões turbulentas da própria EA

Pedro Nery

21/10/2026 18h17

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Reprodução Redes sociais

A Electronic Arts decidiu fechar a BioWare e encerrar uma trajetória de mais de 30 anos marcada por algumas das franquias mais importantes dos RPGs. A medida faz parte de uma reestruturação que atingirá aproximadamente 3% da força de trabalho global da EA, o equivalente a cerca de 400 funcionários, e inclui a interrupção do desenvolvimento de um novo Mass Effect. Fundado em 1995, o estúdio canadense construiu sua reputação com séries como Dragon Age, Mass Effect, Star Wars: Knights of the Old Republic e os primeiros Baldur’s Gate. “A BioWare é um estúdio lendário que ajudou a definir o gênero RPG, e não tomamos essa decisão de forma leviana”, afirmaram executivos da companhia.

O encerramento, entretanto, é também o ponto final de uma longa sequência de turbulências sob o comando da própria EA. Projetos foram reformulados, profissionais importantes deixaram o estúdio e ideias foram abandonadas durante o desenvolvimento. Dragon Age: The Veilguard simbolizou esse processo: inicialmente concebido como uma experiência single-player, o jogo foi transformado em live service em 2017 e voltou a ser um título solo anos depois. A mudança de direção custou tempo, dinheiro e integrantes importantes da equipe, entre eles Mike Laidlaw, Casey Hudson e Mark Darrah, enquanto o projeto foi obrigado a preservar estruturas criadas para uma versão multiplayer que nunca chegou ao mercado.

O último lançamento

Quando finalmente foi lançado, em outubro de 2024, The Veilguard carregava marcas desse desenvolvimento conturbado. O RPG foi criticado pelo tom mais leve da narrativa, pelas poucas consequências de escolhas e por decisões de gameplay que se afastavam de características tradicionais da série. Segundo informações apresentadas sobre os bastidores do projeto, a EA teria dado ao time apenas cerca de um ano e meio para concluir a nova versão single-player depois de anos investindo no formato de serviço. O resultado alcançou aproximadamente 1,5 milhão de jogadores, metade do que a empresa esperava, e se tornou o último grande lançamento da BioWare antes de seu encerramento.

A própria administração da EA passou a ser apontada como parte central do problema. Profissionais ligados a Dragon Age teriam pedidos negados enquanto integrantes da equipe de Mass Effect recebiam tratamento diferente, cenário que aumentou a rivalidade interna. Em 2023, desenvolvedores do novo Mass Effect foram deslocados para ajudar a concluir The Veilguard, ampliando a tensão entre os grupos. Após o desempenho comercial abaixo das expectativas, o CEO Andrew Wilson ainda afirmou que Dragon Age não conseguiu alcançar um público suficientemente amplo e citou a ausência de recursos de “mundo compartilhado” e maior engajamento — justamente depois de anos em que a companhia havia pressionado o projeto em direção ao live service antes de recuar.

A EA agora pretende concentrar recursos em franquias consideradas estratégicas, mantendo investimentos em Apex Legends e nos próximos títulos de Star Wars Jedi e Marvel’s Iron Man. A reestruturação ocorre poucos meses depois da conclusão da aquisição da companhia por um fundo de investimento da Arábia Saudita, em uma operação avaliada em US$ 55 bilhões. Para a BioWare, porém, não haverá nova tentativa: depois de sobreviver ao fracasso de Anthem, às sucessivas reformulações de Dragon Age, às perdas de profissionais veteranos e às mudanças de estratégia impostas ao longo dos anos, o estúdio que ajudou a definir os RPGs ocidentais encerra suas atividades justamente após um último lançamento marcado pelas interferências e indecisões de sua própria controladora.

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