Menu
Saúde

Vulnerabilidade social afeta altura de crianças indígenas e nordestinas

Pesquisa revela que fatores socioeconômicos e de saúde comprometem o crescimento infantil em regiões vulneráveis do Brasil.

Redação Jornal de Brasília

19/02/2026 7h52

criança vulnerabilidade

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A vulnerabilidade social está associada a uma altura média menor em crianças indígenas e de estados do Nordeste com até 9 anos, abaixo dos padrões recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Esses achados fazem parte de uma pesquisa conduzida por especialistas do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde da Fundação Oswaldo Cruz da Bahia (Cidacs/Fiocruz Bahia).

O estudo analisou dados de 6 milhões de crianças brasileiras de famílias registradas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), no Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e no Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), desde o nascimento até os 9 anos de idade. Os pesquisadores cruzaram informações sobre condições de saúde e socioeconômicas para avaliar peso, estatura e estado nutricional em relação aos parâmetros da OMS.

Entre os fatores que prejudicam o crescimento, destacam-se problemas na atenção à saúde, alimentação inadequada, elevado nível de doenças, baixo nível socioeconômico e condições ambientais precárias. O líder do estudo, Gustavo Velasquez, ressalta que, embora nem todas as crianças indígenas e do Norte e Nordeste sejam classificadas com baixa estatura, há uma porcentagem maior nessa condição em comparação com outras regiões.

A pesquisa também identificou que cerca de 30% das crianças brasileiras apresentam sobrepeso ou estão próximas disso, indicando que populações vulneráveis não estão imunes ao excesso de peso. Em termos de prevalência de sobrepeso e obesidade, as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste apresentam índices mais altos: no Sul, 32,6% com sobrepeso e 14,4% obesos; no Sudeste, 26,6% e 11,7%; no Centro-Oeste, 28,1% e 13,9%. No Norte, os percentuais são 20% para sobrepeso e 7,3% para obesidade; no Nordeste, 24% e 10,3%.

De acordo com Velasquez, as crianças brasileiras, em média, acompanham ou superam as referências de peso da OMS, mas o peso está começando a exceder a norma em algumas regiões. Ele enfatiza a importância do acompanhamento pré-natal e pós-natal, além de uma alimentação saudável, alertando para a invasão de alimentos ultraprocessados como um determinante do aumento de peso.

O estudo foi publicado na revista JAMA Network em 22 de janeiro de 2026 e recebeu comentários de pesquisadores internacionais, que consideram o Brasil em um nível intermediário de obesidade infantil na América Latina, atrás de países como Chile, Peru e Argentina.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado