DIEGO FELIX
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)
As empresas que operam no varejo farmacêutico brasileiro faturaram aproximadamente R$ 128,6 bilhões em 2025, uma alta de 12% em relação a 2024. O setor, que apresenta evoluções consistentes ano-a-ano (média de 13%), teve seu crescimento impulsionado pelas vendas de canetas emagrecedoras, como Mounjaro, Ozempic e Wegovy.
No ranking das cinco empresas que mais venderam medicamentos em 2025 estão as brasileiras NC Farma Corp (conglomerado dono da EMS), Eurofarma, Hypera, Aché e a multinacional Novo Nordisk, que subiu uma posição e chegou ao quinto lugar impulsionada pelas vendas de canetas do Ozempic e Wegovy.
Novidade no ranking deste ano, a norte-americana Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, foi a sexta farmacêutica com mais vendas no ano passado. A companhia obteve uma variação de 611% em relação aos dados de 2024, segundo levantamento elaborado pelo Grupo FarmaBrasil, com base em dados da consultoria IQVIA, e compartilhado com a reportagem.
O impacto das canetas já era sentido em 2024, quando a Novo Nordisk registrou uma variação de 48% nas vendas em comparação com 2023. Até então, a companhia dominava o setor de canetas emagrecedoras com seus dois produtos mais conhecidos. O Mounjaro, da Eli Lilly, só chegou ao mercado brasileiro no ano passado.
De acordo com o FarmaBrasil, que reúne as principais empresas do setor no país, o IQVIA não autoriza a divulgação de dados específicos de faturamento por empresa, incluindo a participação de mercado individual das companhias. O critério do cálculo para definição de quem vendeu mais é o do preço de compra pelas farmácias, ou seja, o valor que os estabelecimentos pagam para adquirir medicamentos de distribuidores ou fabricantes.
O Ozempic, que costuma ser mais barato, é feito a partir da semaglutida e pode ser encontrado nas farmácias com valores até R$ 1.387, dependendo da dosagem. Já o Mounjaro, cujo princípio ativo é a tirzepatida, pode ser adquirido com preços até R$ 2.400. Ambos são aplicados no tratamento de diabetes tipo 2 e também atuam como inibidores de apetite, especialmente em casos de combate à obesidade.
Em termos gerais, as empresas brasileiras são as que mais comercializam medicamentos no país atualmente, com um total de R$ 74 bilhões em vendas em 2025 (58% do varejo farmacêutico). As multinacionais comercializaram R$ 54,6 bilhões no mesmo período (42% do setor).
No recorte por embalagens comercializadas em 2025, destacaram-se as empresas com portfólio de medicamentos mais amplo, como a NC Farma, Hypera Pharma, Cimed, Eurofarma e Sanofi.
Ao todo, foram mais de 5,3 bilhões de embalagens vendidas em 2025 (alta de 4%), sendo que as empresas brasileiras concentraram 81% do total de unidades.
Relatório recente do Itaú BBA mostrou que as canetas emagrecedoras representarão 20% da receita das grandes redes de farmácia até 2030. Neste cenário foram incluídas companhias de capital aberto, como RaiaDrogasil, Pague Menos e Panvel.
Atualmente, a receita obtida com as canetas nessas redes já se aproxima dos dois dígitos e deve se intensificar com a quebra da patente da semaglutida, em março.
Pelas projeções do Itaú BBA, o mercado brasileiro de canetas deve saltar dos atuais R$ 10 bilhões para R$ 50 bilhões nos próximos quatro anos, com um crescimento anual de 40%. O Brasil é o segundo maior mercado do segmento, atrás somente dos Estados Unidos.
Empresas que mais venderam no varejo de medicamentos em 2025
Ranking – Origem – Variação em % (2024 – 2025)
1 – NC Farma Corp – 5
2 – Eurofarma – 14
3 – Hypera – 7
4 – Aché – 11
5 – Novo Nordisk – 11
6 – Eli Lilly – 611
7 – Sanofi – 5
8 – Astrazeneca – 24
9 – Libbs – 9
10 – FQM – 4
Fontes: FarmaBrasil com base em IQVIA
Empresas com mais embalagens vendidas no varejo farmacêutico em 2025
Ranking – Origem – Variação em % (2024 – 2025)
1 – NC Farma – 1
2 – Hypera – 5
3 – Cimed – 2
4 – Eurofarma – 10
5 – Sanofi – 9
6 – Teuto – 10
7 – Aché – 10
8 – União Química – 3
9 – Merck – 13
10 – Geolab – 4
Fontes: FarmaBrasil com base em IQVIA