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Saúde

SUS testará vacina do Butantan contra a dengue em 3 municípios a partir de 17 de janeiro

Primeira fase usará parte do lote de 1,3 milhão de doses já entregues pelo Instituto Butantan

Redação Jornal de Brasília

07/01/2026 18h53

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

MATEUS VARGAS
FOLHAPRESS

A vacina de dose única do Instituto Butantan contra a dengue começará a ser aplicada no SUS (Sistema Único de Saúde) em 17 de janeiro nos municípios de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). No dia seguinte, Botucatu (SP) abrirá a sua campanha de imunização.

Os três municípios foram escolhidos pelo Ministério da Saúde para avaliar o impacto do uso da nova vacina, em uma estratégia de “imunização acelerada”. O público-alvo será composto pela população de 15 a 59 anos, disse a pasta.

O teste será feito com uma parte do lote de 1,3 milhão de vacinas já entregue pelo Butantan. Na sequência, serão imunizados os profissionais de saúde da atenção primária que atuam na “linha de frente do SUS”, como médicos, enfermeiros e agentes de saúde, segundo o ministério.

O ministério estima que profissionais de saúde sejam imunizados a partir do fim de janeiro. Uma campanha nacional com a vacina do Butantan ainda depende da ampliação da oferta das vacinas.

“Com o aumento da produção de doses, a partir da parceria de transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a empresa chinesa WuXi Vaccines, a estratégia será gradualmente ampliada para todo o país, começando pela população de 59 anos e avançando até o público de 15 anos, conforme a disponibilidade de doses”, afirma o ministério.

Produzida em parceria entre o Ministério da Saúde, o Butantan e o laboratório chinês WuXi Biologics, a Butantan-DV é a primeira vacina contra a dengue em dose única no mundo.

O imunizante foi aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no fim de novembro e pode ser aplicado em pessoas de 12 a 59 anos. A dose mostrou 74,7% de eficácia geral; 91,6% de eficácia contra dengue grave e com sinais de alarme; e 100% de eficácia contra hospitalizações. Os estudos também mostraram que a proteção dura cinco anos.

O Butantan prevê a oferta de 30 milhões de doses anuais a partir do segundo semestre de 2026, com possibilidade de ampliação, a depender da demanda e da capacidade produtiva.

Composto pelos quatro sorotipos do vírus da dengue, o imunizante se mostrou seguro e eficaz tanto em pessoas com infecção prévia como naquelas que nunca tiveram contato com o patógeno.

A vacina contra dengue atualmente disponível no SUS é a Qdenga, da farmacêutica Takeda. O imunizante é dado em duas doses, e por enquanto a recomendação do Ministério da Saúde é vacinar apenas crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, grupo que concentra o maior número de hospitalizações pela doença.

O Brasil registrou, em 2024, recorde de casos e mortes por dengue -6,6 milhões de casos e 6.297 mortes, segundo o painel de monitoramento de arboviroses do Ministério da Saúde. O número de vítimas de 2024 superou a soma de mortes pela doença nos oito anos anteriores. Em 2025, o Brasil teve 1.776 mortes pela dengue, além de 207 casos que estão em investigação.

“O Ministério da Saúde adotará uma estratégia de avaliação do impacto da nova vacina contra a dengue, com imunização acelerada em três municípios-piloto: Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), a partir de 17 de janeiro; Botucatu (SP), a partir de 18 de janeiro. O público-alvo será composto pela população de de 15 a 59 anos residente nessas cidades”, afirmou o ministério, em nota.

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