O Governo Federal anunciou novas diretrizes para ampliar o tratamento da fibromialgia no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa visa aumentar a visibilidade da doença e oferecer novas oportunidades de atendimento, incluindo capacitação de profissionais de saúde e tratamentos multidisciplinares.
A fibromialgia é uma síndrome clínica que afeta de 2,5% a 5% da população brasileira, com mais de 80% dos casos em mulheres entre 30 e 50 anos, segundo estudos revisados pela revista Rheumatology e pelo National Institutes of Health (NIH). A doença causa dores generalizadas por todo o corpo, sem ligação com lesões ou inflamações, e é caracterizada por uma disfunção nos neurônios ligados à dor, que se tornam excessivamente sensibilizados.
De acordo com o reumatologista José Eduardo Martinez, presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, os sintomas incluem fadiga, alterações no sono, distúrbios cognitivos, formigamento nas mãos e pés, problemas como insônia e apneia, sensibilidade a estímulos ambientais, alterações de humor como depressão e ansiedade, além de dificuldades de memória, concentração e atenção. ‘É a dor generalizada. Muitas vezes, se não na maior parte das vezes, essa dor vem acompanhada de fadiga, uma alteração no sono, distúrbios cognitivos, então esse conjunto de sintomas é o que a gente chama de fibromialgia’, explicou Martinez em entrevista ao Tarde Nacional – Amazônia.
O diagnóstico é puramente clínico, baseado na descrição dos sintomas pelo paciente e em um exame físico realizado pelo médico, sem exames laboratoriais ou de imagem específicos. Martinez enfatiza a importância de diferenciar a fibromialgia de outras condições, como artrose, que podem causar dores semelhantes. Recomenda-se procurar um reumatologista ou atendimento em unidades básicas de saúde para investigação.
Em julho de 2025, a Lei 15.176/2025, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reconheceu a fibromialgia como deficiência. Essa medida garante acesso a benefícios como cotas em concursos públicos e seleções de emprego, isenções de IPI, ICMS e IOF na compra de veículos adaptados, aposentadoria por invalidez e auxílio-doença mediante avaliação pericial, Benefício de Prestação Continuada (BPC) para baixa renda e pensão por morte em casos de incapacidade comprovada.
As novas diretrizes do Ministério da Saúde, implementadas neste mês, preveem um planejamento estruturado para o tratamento no SUS, com ênfase em abordagens não farmacológicas, como fisioterapia, apoio psicológico, terapia ocupacional e atividade física constante, que ajudam a fortalecer o corpo e melhorar a qualidade de vida. Tratamentos farmacológicos também são indicados para regular a percepção de dor, e Martinez destaca a necessidade de colaboração entre profissionais, como reumatologistas, psiquiatras e psicólogos, para evitar interações medicamentosas e tratar comorbidades como ansiedade e depressão.
Para a Sociedade Brasileira de Reumatologia, os tratamentos não farmacológicos são tão importantes quanto os medicamentos para auxiliar os pacientes.
Com informações da Agência Brasil