O uso de suplementos alimentares tem crescido nos últimos anos, impulsionado principalmente por conteúdos nas redes sociais. No entanto, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) alerta que nem todos são necessários e que o consumo sem orientação pode trazer riscos à saúde.
Entre os suplementos mais populares estão multivitamínicos, magnésio, probióticos, óleo de peixe, vitamina C, colágeno, vitamina B12, proteína em pó, fibras e os chamados “pós verdes”. Apesar das promessas de benefícios, a maioria das pessoas consegue obter os nutrientes necessários por meio de uma alimentação equilibrada.
Segundo Carolina Gama, gerente de Nutrição da SES-DF, a suplementação deve ser indicada apenas em situações específicas. “Se a pessoa tiver necessidades específicas ou carências nutricionais diagnosticadas, os suplementos fazem a diferença. Fora disso, não substituem uma alimentação saudável”, explica.
Uma dieta variada, com alimentos in natura como folhas, frutas, verduras, legumes, ovos, carnes e peixes, ou minimamente processados, é suficiente para suprir as necessidades da maior parte da população. “Nos alimentos, os nutrientes estão em equilíbrio e associados a compostos que favorecem sua absorção”, ressalta a especialista.
O uso indiscriminado de suplementos pode causar prejuízos, como toxicidade ou desequilíbrios nutricionais. Por exemplo, o excesso de vitamina D pode levar à calcificação de tecidos moles, enquanto o excesso de proteína pode sobrecarregar os rins em pessoas com doenças renais.
A suplementação é recomendada em casos como gestação, cirurgias bariátricas, deficiências nutricionais comprovadas ou condições clínicas específicas. Em algumas situações, pode ser usada preventivamente, como nos programas do Ministério da Saúde que incluem suplementação de vitamina A, ferro, iodo no sal e ácido fólico para gestantes. O uso deve sempre ser orientado por médico ou nutricionista.
“Quando bem prescrito por esses profissionais, pode valer o investimento, mas sem avaliação e indicação técnica pode se tornar um gasto desnecessário ou até prejudicial”, avalia a gerente de nutrição da SES-DF.
A população pode buscar orientação no Sistema Único de Saúde (SUS), com atendimentos em unidades básicas de saúde para promoção da alimentação saudável. Além disso, a SES-DF oferece o Programa de Terapia Nutricional Enteral Domiciliar (PTNED), que fornece suplementos energéticos-proteicos e módulos de nutrientes para pacientes cadastrados, conforme regulamento e nota técnica.