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Saúde

Som alto no Carnaval ameaça audição com risco de perda permanente

Especialistas do HBDF alertam para traumas acústicos causados por trios elétricos e recomendam protetores auriculares e pausas para evitar danos irreversíveis.

Redação Jornal de Brasília

15/02/2026 15h28

Foto: Divulgação/IgesDF

Foto: Divulgação/IgesDF

O zumbido e a sensação de ouvido tampado após dias de folia no Carnaval podem sinalizar danos auditivos provocados pelo ruído excessivo de trios elétricos e caixas de som. Especialistas do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), gerido pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), destacam os riscos de traumas acústicos agudos e perdas auditivas irreversíveis.

O otorrinolaringologista João Henrique Zanotelli explica que o trauma acústico agudo ocorre após exposição intensa e curta, como proximidade a caixas de som, causando audição abafada, chiado ou zumbido, que pode ser temporário ou permanente. Exposições repetidas e prolongadas levam a perdas progressivas, pois as células auditivas não se regeneram.

Uma forma simples de identificar volumes perigosos é verificar se é necessário gritar para conversar com alguém próximo. Exposições a 90 decibéis não devem exceder quatro horas por dia, enquanto a 100 decibéis o limite é cerca de uma hora. Perto de trios elétricos, os níveis podem ser ainda maiores, reduzindo o tempo seguro de exposição.

A fonoaudióloga Thaynara dos Santos reforça que sintomas como zumbido, ouvido tampado, sensibilidade aumentada e dificuldade para entender fala indicam fadiga das células auditivas. Exposições frequentes podem resultar em perda auditiva por ruído excessivo, zumbido crônico e dificuldades permanentes em ambientes ruidosos.

Para reduzir riscos, os especialistas recomendam manter distância das fontes de som, evitar longas horas no mesmo local, fazer pausas em ambientes silenciosos e alternar dias de exposição com descanso. O uso de protetores auriculares, que reduzem o som em 15 a 35 decibéis, é uma medida eficaz e acessível, disponível em farmácias e lojas de material de construção, sem comprometer a diversão.

Crianças, idosos e pessoas com perda auditiva prévia demandam cuidados extras. O sistema auditivo infantil está em desenvolvimento, aumentando a vulnerabilidade, enquanto idosos devem limitar a exposição e reforçar a proteção.

O advogado Paullo Inácio, de 36 anos, relata que nunca se preocupou muito com o tema, limitando-se a se afastar das caixas de som. Ele já sentiu zumbido após eventos e busca locais silenciosos para alívio, mas especialistas alertam que repetições elevam o risco de danos definitivos.

É essencial procurar atendimento médico se os sintomas persistirem após descanso em local silencioso. Indicadores incluem zumbido por mais de 24 a 48 horas, dor no ouvido, sensação contínua de tampado, audição reduzida ou tontura associada.

Com informações do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF)

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