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Saúde

Soltura de wolbitos reduz dengue em 62% no DF

Queda nos casos suspeitos é atribuída à liberação de 38 milhões de mosquitos Aedes aegypti inoculados com a bactéria Wolbachia em dez regiões administrativas.

Redação Jornal de Brasília

10/03/2026 14h21

Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

Foto: Jhonatan Cantarelle/Agência Saúde DF

Em sete semanas de 2026, o Distrito Federal registrou 1.719 casos suspeitos de dengue, uma queda de 62,4% em relação aos 4.579 casos no mesmo período de 2025. O resultado é atribuído a estratégias da Secretaria de Saúde (SES-DF), com destaque para a liberação de mais de 38 milhões de mosquitos Aedes aegypti inoculados com a bactéria Wolbachia, conhecidos como wolbitos.

Esses insetos têm menor capacidade de transmitir a dengue e outras arboviroses, como zika, chikungunya e febre amarela. Segundo Allex Moraes, chefe da Assessoria de Mobilização Institucional e Social para a Prevenção de Endemias, a experiência tem sido bem-sucedida, com os wolbitos adaptando-se e prevalecendo no ambiente.

Monitoramento por meio de ovitrampas em dez regiões administrativas indicou que 68,29% da população de Aedes aegypti é composta por mosquitos inoculados com Wolbachia. Os índices variaram, com o menor em Fercal (53,73%) e o maior no Itapoã (81,44%). A expectativa é que os wolbitos ocupem ainda mais espaço nos próximos períodos.

O mecanismo de reprodução contribui para a disseminação da bactéria: cruzamentos entre wolbitos geram novos indivíduos inoculados, enquanto cruzamentos com Aedes aegypti originais resultam em filhotes inviáveis ou novos wolbitos. A Wolbachia não altera geneticamente os mosquitos nem é transmitida a humanos ou outros mamíferos. Anderson de Morais, chefe do Núcleo de Controle Químico e Biológico, explica que, uma vez estabelecida, a bactéria tende a se manter na população sem necessidade de liberações contínuas.

Especialistas preveem dispersão natural dos wolbitos para outras regiões, auxiliada pelo voo curto do mosquito e pelo transporte involuntário por humanos, como em veículos ou objetos.

Além dos wolbitos, outras medidas continuam em vigor. Em 2025, equipes de Vigilância Ambiental visitaram mais de 1,8 milhão de residências. A vacinação contra dengue é aplicada em duas doses para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, com inclusão de profissionais da linha de frente em fevereiro de 2026.

Morais reforça a importância da participação da população, destacando que ações comunitárias são essenciais para o combate às arboviroses.

Com informações da SES-DF

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