Menu
Saúde

SBP alerta para riscos de canetas emagrecedoras em crianças

Entidade orienta que o uso desses medicamentos por crianças e adolescentes exige indicação e acompanhamento médico, e contraindica produtos sem registro.

Redação Jornal de Brasília

24/08/2026 9h01

Canetas reutilizáveis de insulina

Foto: Caroline Morais/Ministério da Saúde

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou uma nota de alerta sobre o uso sem indicação e sem acompanhamento médico de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, por crianças e adolescentes.

Segundo a entidade, o uso inadequado pode aumentar a frequência e a gravidade de eventos adversos. Entre os riscos citados estão déficit de crescimento e desenvolvimento, desidratação e distúrbios eletrolíticos, perda de massa muscular, pancreatite aguda e problemas na vesícula.

A SBP também afirmou que o uso com finalidade estética pode servir de gatilho para transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, além de ansiedade e quadros depressivos relacionados à imagem corporal. Por isso, a entidade destacou que adolescentes com peso adequado não devem usar essas medicações apenas para modificar a aparência corporal ou atingir padrões estéticos.

A nota contraindica ainda a utilização de produtos sem procedência ou registro sanitário, incluindo preparações clandestinas, manipuladas ou importadas sem registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo a SBP, esses medicamentos têm indicações específicas, como obesidade e diabetes tipo 2, mas mesmo nesses casos a prescrição não é automática.

A entidade diz que, antes de prescrever, o médico precisa avaliar a resposta da criança ou do adolescente a intervenções farmacológicas e não farmacológicas prévias, a gravidade da doença, a presença de comorbidades, os riscos potenciais, a capacidade de acompanhamento e as expectativas do paciente e da família.

A SBP também recomenda substituir a expressão popular canetas emagrecedoras por medicamentos para tratar a obesidade. Para a entidade, a terminologia é mais precisa por reconhecer a obesidade como doença crônica e por deixar claro que o objetivo do tratamento envolve melhorar a saúde e a qualidade de vida, e não apenas a perda de peso.

Entre os eventos adversos mais comuns, a nota cita náuseas, vômitos, refluxo, azia, diarreia e constipação, especialmente durante o escalonamento da dose. A perda de massa magra também é apontada como um risco, e a entidade recomenda acompanhamento médico para ajuste da conduta diante de intolerância.

A SBP afirma ainda que há evidência científica de eficácia e segurança desses medicamentos em adolescentes quando usados dentro dos critérios estudados e associados a intervenções sobre estilo de vida. No entanto, a entidade avalia que o problema observado atualmente, sobretudo nas redes sociais, está na banalização do uso.

A nota lista como contraindicações a hipersensibilidade ao princípio ativo ou a componentes da formulação, gestantes e lactantes, e pacientes com história pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2. O relato de pancreatite prévia é tratado como contraindicação relativa e exige avaliação médica individualizada.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado