Celebrado em 20 de março, o Dia Mundial da Saúde Bucal chama atenção para um aspecto frequentemente negligenciado: a boca não é uma estrutura isolada do restante do corpo. Evidências científicas indicam que infecções gengivais podem repercutir em diferentes sistemas do organismo, inclusive o cardiovascular e o neurológico.
Pesquisas recentes identificaram a presença da bactéria porphyromonas gingivalis, associada à doença periodontal, em cérebros de pacientes com Alzheimer. A hipótese em estudo é que microrganismos provenientes de infecções na gengiva alcancem a corrente sanguínea e, posteriormente, o cérebro, contribuindo para processos inflamatórios relacionados à neurodegeneração. Embora a relação ainda esteja sob investigação, os achados reforçam a importância da prevenção.
A medicina integrativa, que compreende o organismo como um sistema interdependente, sustenta que inflamações crônicas podem desencadear efeitos em cadeia. Uma alteração persistente na cavidade oral é capaz de influenciar o funcionamento de outros órgãos.
A doença periodontal, que compromete a gengiva e o osso responsável pela sustentação dos dentes, não se restringe à cavidade oral. Trata-se de um processo inflamatório que pode produzir repercussões sistêmicas.
“A gengiva saudável apresenta coloração rosa pálida. Quando há inflamação crônica, ocorre aumento da vascularização e da permeabilidade dos tecidos, o que facilita a entrada de bactérias na corrente sanguínea. A partir daí, esses microrganismos podem alcançar outros órgãos”, explica a cirurgiã-dentista Dra. Daniele Castro.
Dados mostram alta incidência no país
O cenário epidemiológico confirma a dimensão do problema. A Pesquisa Nacional de Saúde Bucal — SB Brasil 2023, divulgada pelo Ministério da Saúde em 2024 — aponta que a cárie permanece altamente prevalente entre adultos. Apenas 5,2% das pessoas entre 35 e 44 anos estão livres da doença. Entre crianças de 5 anos, 53,17% não apresentam cárie, o que indica avanço na infância, mas persistência do problema ao longo da vida.
O levantamento é a principal base de dados do país para formulação de políticas públicas na área e evidencia que a prevenção ainda representa um desafio.
Situação no Distrito Federal
No Distrito Federal, a cobertura de atendimento odontológico na Atenção Primária alcança cerca de 18% da população, percentual inferior à média nacional. Ao mesmo tempo, o DF registra mais de 700 mil beneficiários de planos exclusivamente odontológicos, o que revela demanda expressiva por assistência.
Para ampliar o acesso, o Serviço Social da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Seconci-DF) mantém duas unidades fixas, no Núcleo Bandeirante e na Asa Norte, além de quatro unidades móveis que percorrem canteiros de obras.
“Somente em 2025 foram realizados mais de 21 mil atendimentos odontológicos”, informa Mára Lúcia Campos, gerente de odontologia do Serviço Social de Industria da Construção do Distrito Federal (Seconci-DF). Entre os serviços oferecidos estão restaurações, tratamentos de canal, extrações, próteses e procedimentos preventivos.
Segundo a gerente, a rotina de cuidados é decisiva. “Escovação adequada, uso diário do fio dental e consultas periódicas ajudam a controlar doenças gengivais e reduzem processos inflamatórios que podem afetar o organismo.
Prevenção como política de saúde
Os dados mais recentes do Ministério da Saúde reforçam que a saúde bucal integra as estratégias da Atenção Primária e constitui componente essencial do cuidado integral. Escovar os dentes ao menos três vezes ao dia, utilizar fio dental regularmente, manter alimentação equilibrada e buscar atendimento odontológico de forma preventiva são medidas simples e eficazes.
A boca pode revelar sinais precoces de desequilíbrios e também funcionar como porta de entrada para inflamações com reflexos em todo o corpo. Cuidar dela é uma escolha que repercute na saúde geral.
A prevenção na prática
A influenciadora Enny Evellin, de 28 anos, paciente da clínica da Dra. Daniele, afirma que mudou a forma de encarar o atendimento odontológico depois de compreender os impactos da saúde bucal no organismo.

“Eu só procurava dentista quando sentia dor ou por algum desconforto estético. Hoje faço acompanhamento regular e entendo que cuidar da gengiva é cuidar da saúde como um todo”, relata.
Segundo a paciente, a adoção de hábitos simples como o uso diário do fio dental e as consultas periódicas, trouxe mais segurança e tranquilidade. “A prevenção evita problemas maiores e faz total diferença no dia a dia. As dores de cabeça aparentemente, “inocentes” por conta do estresse diário passou a não me incomodar”, completa Mariana.
Para a Dra. Daniele, o acompanhamento contínuo permite identificar precocemente sinais de inflamação e reduzir riscos futuros.
“A consulta preventiva é essencial. Quando a doença periodontal evolui sem tratamento, o processo inflamatório pode se tornar persistente e alcançar outras áreas do organismo,” afirma.
Serviço:
- Serviço Social da Industria da Construção Civil do Distrito Federal – Seconci-DF
- Setor Palca das Mercedes, lotes 11,13 e 15 – Núcleo Bandeirantes – Brasília
- Contato: 61 3300-1888