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Saúde

Quimioterapia pode afetar saúde bucal e exige acompanhamento odontológico durante tratamento

Especialistas explicam como a quimioterapia pode provocar boca seca, mucosite e infecções e reforçam a importância do acompanhamento odontológico

Mariana Menhô

07/10/2026 20h15

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Divulgação/IgesDF

A quimioterapia, realizada durante o tratamento de câncer de mama, pode causar alterações na saliva e na gengiva que afetam diretamente o bem-estar e a qualidade de vida da paciente. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam 1.410 novos casos de câncer de mama no Distrito Federal em 2026. Diante desse cenário, oncologistas e dentistas reforçam a necessidade do acompanhamento odontológico antes e durante o tratamento.

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Divulgação/IgesDF

Riscos de infecção e a visão da oncologia

Infecções na boca durante o tratamento de câncer representam um sério risco para o organismo. A médica oncologista Alessandra Leite, coordenadora de oncologia do Hospital Santa Lúcia Norte, explica que a cavidade oral necessita de atenção imediata. “As pacientes devem estar com a profilaxia odontológica em dia pois a boca é importante foco de infecção”, alerta Alessandra.

De acordo com a oncologista, a baixa imunidade causada pela quimioterapia faz com que simples problemas dentais se agravem. “São focos de infecções graves e, em pacientes que fazem quimioterapia com baixa da imunidade provocada pelo tratamento, a infecção dentária pode se potencializar causando inclusive endocardite”, informa a médica.

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Divulgação/IgesDF

Alessandra também ressalta sintomas que exigem uma comunicação imediata. “Caso haja uma ferida que não cicatriza, se a paciente sentir dor nos dentes, sangramento gengival. Sintomas como estes devem ser relatados imediatamente à equipe médica e de odontólogos. A saúde bucal é fundamental para que o tratamento do câncer de mama seja concluído com sucesso e sem risco de intercorrências graves”, explicou a oncologista.

Assistência na rede pública do Distrito Federal

De janeiro a julho deste ano, a rede pública do DF registrou 4.411 quimioterapias para o tratamento do câncer de mama. A Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal (SES-DF), informou que há atendimento para pacientes oncológicas no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), no Hospital Universitário de Brasília (HUB) e no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF).

No HRT, o auxílio a pacientes oncológicos fica sob responsabilidade da Unidade de Oncologia Clínica (UONC).“O cirurgião-dentista faz parte da equipe da UONC e avalia os pacientes que iniciam o tratamento, independentemente da existência de queixas ou complicações bucais”, informou a secretaria.

Para o paciente, ter uma equipe de atendimento especializado é um grande auxílio durante o tratamento. “A presença de profissionais especializados na UONC permite uma assistência conjunta ao paciente oncológico, sem a necessidade de encaminhamento para outro serviço para o acompanhamento odontológico”, explicou a pasta.

Entre janeiro e setembro de 2026 o Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) realizou 8.762 consultas de retorno e 2.096 primeiras consultas, para o tratamento do câncer de mama. Além da consulta com oncologistas, o Hospital presta suporte especializado de odontologia e cirurgia bucal às pacientes.

Pacientes com inflamações na mucosa tem atendimento prioritário. “Pacientes que apresentam feridas e inflamações na boca, condição conhecida como mucosite, ou outros problemas odontológicos relacionados ao tratamento recebem prioridade de acordo com a avaliação da equipe”, informa a instituição

Alterações salivares, mucosite e cuidados

Segundo o cirurgião-dentista da Benve Odontologia, Gustavo Delmondes, a redução da saliva ocorre por múltiplas razões. “Alguns quimioterápicos podem interferir no funcionamento das glândulas salivares, reduzindo a produção de saliva. Além disso, fatores comuns durante o tratamento, como desidratação, vômitos e o uso de medicamentos associados, como antieméticos e analgésicos, também podem contribuir para a diminuição do fluxo salivar.”

Quando há surgimento de feridas na mucosa, conhecidas como mucosite oral, há riscos de complicações. “A quimioterapia pode atingir células da mucosa que possuem uma alta capacidade de renovação, o que provoca inicialmente vermelhidão, sensibilidade e ardência e, posteriormente, o aparecimento de feridas e úlceras dolorosas”, explicou Gustavo Delmondes. Ele pontua que em casos mais graves a dor pode prejudicar a alimentação e até exigir o adiamento do tratamento contra o câncer.

A experiência de uma paciente

Raquel Barbosa Ferreira Gomes, de 49 anos, foi diagnosticada em março de 2023 com câncer de mama metastático em estágio IV, a paciente viveu de perto a necessidade do acompanhamento bucal durante o tratamento.

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Raquel Barbosa Ferreira Gomes: Material cedido

Ela sentiu efeitos colaterais na boca, mas utilizou recursos indicados pelo dentista para controlar o incômodo. “Percebi um pouco de mudança no paladar e minha boca ficou bastante seca. Usei saliva artificial indicada pelo dentista. Ele explicou vários problemas que eu poderia ter durante o tratamento e indicou alguns produtos de alívio, como alguns tipos de pasta de dente e saliva artificial”, conta Raquel Barbosa.

Raquel reforça a importância da odontologia no tratamento do câncer. “O dentista é fundamental no tratamento oncológico. Nós precisamos desse esclarecimento para que possamos passar pelo tratamento oncológico com mais conforto e com menos intercorrências”, relatou a paciente.

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Dra Luisa Casado: Matheus Takenaka Dias

É fundamental que o oncologista e o cirurgião-dentista se comuniquem, para assim garantir a segurança da paciente, especialmente antes de procedimentos invasivos como extrações. A médica, Luisa Casado acende o alerta que certas medicações necessitam de cautela. “O dentista precisa estar em constante contato com a equipe médica oncológica. A paciente em tratamento para câncer de mama com supressão hormonal tende a fazer uma osteopenia, condição que exige o uso preventivo de medicação que pode inviabilizar tratamentos invasivos relacionados ao osso, como implantes e cirurgias esqueléticas. Procedimentos como implantes e cirurgias ósseas podem ser perigosos e causar necrose, por isso a interação entre médico e dentista é imprescindível”, finalizou Luisa.

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