Menu
Saúde

Pesquisa do Unicef revela fatores sociais por trás do consumo de ultraprocessados em crianças

Sobrecarga materna, preços acessíveis e desconhecimento impulsionam famílias de comunidades em Belém, Recife e Rio de Janeiro a oferecerem esses produtos às crianças, apesar da preocupação com saúde.

Redação Jornal de Brasília

31/03/2026 7h20

ultraprocessados

Foto: Reprodução

Uma pesquisa divulgada pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) nesta terça-feira (31) identifica fatores sociais que impulsionam o consumo de alimentos ultraprocessados por crianças em comunidades urbanas de Belém (PA), Recife (PE) e Rio de Janeiro (RJ). O estudo entrevistou cerca de 600 famílias nas regiões de Guamá, Ibura e Pavuna, respectivamente.

Apesar de 84% dos entrevistados se declararem muito preocupados em oferecer uma alimentação saudável, alimentos ultraprocessados estão presentes em metade dos lanches das crianças e em um quarto dos cafés da manhã. Os produtos mais comuns incluem iogurte com sabor, embutidos, biscoitos recheados, refrigerantes e macarrão instantâneo.

Alimentos ultraprocessados são produtos industriais resultantes da mistura de ingredientes naturais com aditivos como corantes, aromatizantes e emulsificantes, o que os torna de baixo custo, longa durabilidade e sabores intensos. Evidências científicas associam seu consumo a riscos aumentados de obesidade, diabetes, problemas cardíacos, depressão e câncer.

Entre os fatores destacados, a sobrecarga materna é proeminente: 87% das mães são responsáveis pela compra e oferta de alimentos, enquanto 82% preparam as refeições. Apenas 40% dos pais compram alimentos, 27% cozinham e 31% oferecem comida às crianças. A oficial de Saúde e Nutrição do Unicef no Brasil, Stephanie Amaral, explica que essa sobrecarga, somada ao trabalho fora de casa, favorece a praticidade dos ultraprocessados.

O desconhecimento também contribui: muitos consideram iogurtes com sabor e nuggets fritos como saudáveis. A rotulagem frontal, que alerta sobre altos níveis de sódio, açúcar e gorduras saturadas, é pouco compreendida – 26% dos entrevistados não sabem seu significado, 55% nunca a observam e 62% não deixam de comprar produtos por causa dela.

O preço acessível dos ultraprocessados influencia: 67% das famílias veem sucos de caixinha, salgadinhos e refrigerantes como baratos, enquanto 68% consideram legumes caros, 76% frutas e 94% carnes. Além disso, um componente afetivo foi identificado em entrevistas aprofundadas: pais que não tiveram acesso a certos alimentos na infância sentem satisfação em proporcioná-los aos filhos, associando-os a uma infância feliz.

Stephanie Amaral enfatiza que os danos dos ultraprocessados são cumulativos e não imediatos, e destaca o papel das escolas, onde as famílias confiam na merenda saudável para promover hábitos melhores.

O estudo recomenda medidas como fortalecer a regulação de ultraprocessados, com controle de publicidade infantil e tributação; expandir creches e escolas em tempo integral para reduzir sobrecargas; ampliar orientação alimentar nos serviços de saúde desde a gestação; apoiar iniciativas comunitárias como hortas e atividades esportivas; promover campanhas sobre rotulagem frontal; e investir em comunicação simples para mudança de comportamento.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado