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Saúde

Pesquisa aponta temor com compra de remédios pela internet

Levantamento da QualiBest, encomendado pela Abrafarma, indica que consumidores associam o comércio digital de medicamentos a riscos de falsificação e falta de controle.

Redação Jornal de Brasília

21/08/2026 19h08

09 07 2020 teletrabalho 7

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Uma pesquisa realizada pelo Instituto QualiBest de Pesquisa de Mercado mostrou que 69% dos consumidores têm receio de adquirir medicamentos falsificados pela internet. Entre os entrevistados, 85% atribuem às plataformas de venda online a responsabilidade pela oferta de medicamentos falsificados, sem registro ou de procedência desconhecida.

A sondagem foi encomendada pela Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) e ouviu 2.024 pessoas responsáveis pela compra de medicamentos no domicílio, com hábito de realizar compras pelo menos uma vez a cada três meses. As entrevistas foram feitas entre 13 e 17 de julho, em todas as regiões do país.

Além da falsificação, 59% temem receber medicamentos vencidos ou armazenados de forma inadequada, e 54% citam o risco de adquirir produtos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na percepção dos consumidores, as regras para a comercialização digital de medicamentos devem estar obrigatoriamente vinculadas a uma farmácia ou drogaria autorizada, avaliação apontada por 82% dos entrevistados. Outros 71% consideram que medicamentos não devem ser tratados como mercadorias comuns em plataformas digitais.

A pesquisa também mostra que o consumidor brasileiro está habituado ao comércio eletrônico: 95% dos entrevistados já realizaram compras online, e nove em cada dez afirmam que costumam avaliar a segurança do site antes de comprar, levando em conta principalmente a credibilidade do vendedor e a experiência de outros consumidores. Mesmo assim, 69% relataram já ter enfrentado alguma experiência negativa em compras pela internet, como produto diferente do anunciado, atraso na entrega, item danificado ou golpes em que a compra foi feita, mas a mercadoria não foi recebida.

Quando a compra envolve medicamentos, a assistência profissional aparece como fator de confiança. Para 78% dos entrevistados, a presença de um farmacêutico aumenta a segurança na compra. Além disso, 52% disseram que a compra em uma plataforma conhecida eleva a percepção de segurança, enquanto 56% afirmaram que teriam dificuldade para saber a quem recorrer caso enfrentassem algum problema com um medicamento adquirido nesses canais.

No mês de agosto, a Anvisa revogou medidas que proibiam a comercialização e a propaganda de medicamentos em plataformas como iFood, Rappi, Mercado Livre, Submarino, Americanas e Shopee. A agência esclareceu, porém, que a decisão não representa autorização automática para a venda de medicamentos nesses canais.

A Lei nº 15.357/2026 passou a permitir que farmácias e drogarias regularmente licenciadas contratem canais digitais e plataformas de comércio eletrônico exclusivamente para fins de logística e entrega de medicamentos ao consumidor, desde que cumprida a regulamentação sanitária aplicável. A implementação da medida, no entanto, não produz efeitos imediatos e ainda depende de regulamentação específica da Anvisa.

No último dia 19, a Diretoria Colegiada da Anvisa aprovou, por unanimidade, a abertura de processo administrativo para regulamentar a contratação, por farmácias, de canais digitais e plataformas de comércio eletrônico para fins de logística e entrega ao consumidor. Procurada pela reportagem, a agência informou que o aperfeiçoamento regulatório será feito para adequar as regras sanitárias à lei e que ainda editará as normas necessárias.

Durante a 15ª Reunião Ordinária Pública da Diretoria Colegiada de 2026, o relator da matéria, diretor Daniel Pereira, afirmou que a medida tem potencial para ampliar o acesso da população a medicamentos, com mais conveniência, rapidez e eficiência na entrega de produtos essenciais à manutenção da saúde. Ele ponderou, contudo, que a inovação legislativa não afasta a existência de riscos sanitários relevantes.

O CEO da Abrafarma, Sérgio Menna Barreto, destacou que a compra online de medicamentos está condicionada à existência de regras claras, responsabilização e supervisão profissional, e não apenas à conveniência do canal. Para a entidade, qualquer novo modelo de comércio deve preservar integralmente as regras sanitárias aplicáveis à dispensa de medicamentos e as salvaguardas necessárias à proteção da saúde da população.

O Conselho Federal de Farmácia (CFF) afirmou que a entrada das plataformas não representa a venda de medicamentos pela internet de forma aleatória. Segundo o órgão, o que será autorizado, após a regulamentação da Anvisa, é a utilização das plataformas pelas farmácias para a sua operação.

Já o Procon-RJ informou que farmácias e plataformas de venda online são responsáveis, perante o consumidor, por eventuais prejuízos relacionados à qualidade e à garantia dos medicamentos adquiridos pela internet. Segundo o órgão, enquanto não houver regulamentação da Anvisa, somente farmácias autorizadas podem fazer essa venda por plataformas digitais.

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